Alcolumbre critica fala do PT e impasse com Planalto se agrava
Alcolumbre critica fala do PT e impasse com Planalto

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manifestou insatisfação com a fala do líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai, que ameaçou tratá-lo como 'inimigo dos trabalhadores' caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da jornada 6x1 não avance no Senado. A declaração ampliou o impasse entre o Congresso e o Palácio do Planalto, que já dura desde maio, quando a proposta foi enviada ao Senado e desde então não teve andamento.

O que disse Pedro Uczai

Em entrevista coletiva na última terça-feira, Uczai afirmou que, se a PEC 6x1 não for aprovada, 'o presidente do Senado será lembrado como inimigo dos trabalhadores brasileiros'. A fala foi interpretada por Alcolumbre como uma pressão política inaceitável. 'Não aceito ameaças de ninguém. Minha responsabilidade é com o Brasil, não com partidos ou grupos', respondeu o senador em nota oficial.

PEC 6x1: o que está em jogo

A PEC 6x1 propõe a redução da jornada de trabalho de seis dias por um de descanso para cinco dias por dois de descanso, mantendo a carga horária semanal máxima de 44 horas. A proposta é uma das prioridades do governo Lula, mas enfrenta resistência de setores empresariais e de parte da base governista no Senado. Desde maio, a PEC está parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, aguardando designação de relator.

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Reação do Planalto

Nos bastidores, auxiliares do presidente Lula tentam apaziguar a crise. O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou que 'o governo respeita a independência do Senado e confia no diálogo para superar divergências'. No entanto, a fala de Uczai expôs a insatisfação do PT com a lentidão do processo. 'A base do governo está impaciente. A PEC 6x1 é uma promessa de campanha e não podemos deixar que morra no Senado', disse um líder petista sob condição de anonimato.

Posição de Alcolumbre

Alcolumbre, por sua vez, reafirmou que não cederá a pressões. 'Não vou pautar a PEC sob chantagem. O Senado tem seu ritmo e suas regras. Qualquer tentativa de intimidação será rechaçada', declarou. O presidente do Senado também lembrou que outras propostas importantes estão na fila e que a PEC 6x1 não pode ser tratada como urgência absoluta.

Impacto político

A escalada da tensão entre Senado e Planalto ocorre em um momento delicado para o governo, que busca aprovar medidas econômicas e sociais no Congresso. A PEC 6x1 é vista como um teste da capacidade de articulação do Executivo. Se não avançar, pode enfraquecer a base governista e alimentar críticas da oposição. Analistas políticos apontam que a crise pode se aprofundar se não houver uma mediação eficaz. 'O governo precisa mostrar que tem controle sobre a base, mas também respeitar o protagonismo do Senado', avaliou o cientista político Carlos Melo.

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