O governo russo afirmou que o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, tem as portas abertas “a qualquer momento” para se reunir em Moscou com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. A resposta do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, veio após o presidente ucraniano propor, nesta quinta-feira, 4, em uma carta aberta, um encontro cara a cara com Putin com o objetivo de negociar o fim da guerra na Ucrânia.
Segundo a mídia estatal russa, Putin ainda não havia visto a carta na qual Zelenski o convida para o encontro. A carta aberta, publicada no site da presidência ucraniana, marca uma das poucas ocasiões em que Zelenski se dirigiu diretamente a Putin desde a invasão russa de 2022.
No documento, o presidente ucraniano propôs também um “cessar-fogo total” enquanto são negociados os termos para o fim da guerra. “A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra por meio de um compromisso direto entre o senhor e nós. Propor uma reunião. Kiev está disposta a um cessar-fogo total enquanto durarem as negociações”, acrescentou.
As conversas para encerrar o conflito mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial estão estagnadas. A Ucrânia ataca regularmente a Rússia e os territórios ocupados por Moscou em represália aos bombardeios russos diários desde o início da operação russa em larga escala, em fevereiro de 2022.
Antes da divulgação desta carta, o presidente da Rússia disse que está sempre disposto a negociar com Kiev uma saída para a guerra, com base no que foi discutido “durante o encontro com o presidente Donald Trump” em Anchorage, em agosto de 2025.
Após a publicação da carta, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que um encontro entre Zelenski e Putin seria “fantástico”: “Fico feliz que eles estejam considerando se encontrar. Eles deveriam fazer isso. Acho que tivemos muito a ver com isso”, disse Trump, nesta quinta, a repórteres no Salão Oval.
Condições para um acordo
Moscou exige de Kiev concessões políticas e territoriais, em particular uma retirada completa da região de Donetsk, que faz parte do Donbass. O governo ucraniano se recusa a aceitar essas condições para considerá-las uma capitulação.
Um acordo não excluiria, segundo Putin, que Moscou controle completamente a região de Donbass, bacia mineradora no leste da Ucrânia que atualmente está parcialmente sob controle russo. “Uma coisa não exclui a outra”, afirmou Putin.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira, 3, que “nenhuma das duas partes esteve disposta a fazer as concessões permitidas para restabelecer a paz, particularmente do lado russo”.
Donald Trump voltou à Casa Branca afirmando que encerraria a guerra rapidamente, mas desde a eclosão de um conflito no Oriente Médio após um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, passou a ter outra frente de crise aberta.
“Está claro que a administração americana se vê obrigada a concentrar sua atenção nesse assunto e a tratá-lo antes de qualquer outro”, avaliou Putin nesta quinta-feira.
No terreno, os combates continuam. O líder russo garantiu que as tropas de Moscou vão avançar “em toda a linha de frente”. E Putin prevê reforçar o sistema de defesa antiaérea. “A Rússia tem um sistema de defesa antiaérea. Sim, precisamos melhorá-lo. Sim, precisamos reforçá-lo. E faremos isso”, afirmou um dia após um ataque de drones contra instalações energéticas e militares em São Petersburgo.
Putin não descartou ampliar o uso do míssil balístico hipersônico russo Oreshnik para atingir cidades ucranianas. O líder russo repetiu que esse míssil, já utilizado três vezes contra a Ucrânia, é capaz de transportar ogivas nucleares.



