Um padre de 36 anos, natural de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, faleceu no sábado (6) na Ucrânia após passar por uma cirurgia no joelho e apresentar complicações. Robson Gavioli servia à Igreja Católica e residia há 14 anos no país.
Detalhes do ocorrido
Segundo informações apuradas pelo g1, o padre lesionou o joelho enquanto conduzia jovens para uma atividade de oração e descontração em uma montanha. O objetivo da missão comunitária era aliviar a ansiedade e a tensão do grupo devido aos reflexos da guerra no país.
Por conta da lesão, Robson foi submetido a um procedimento cirúrgico considerado simples pelos médicos. No entanto, o sacerdote foi diagnosticado com tromboembolia, uma obstrução de um vaso sanguíneo por um coágulo que se desprende e viaja pela corrente sanguínea. Em consequência, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória.
A cirurgia estava inicialmente prevista para fevereiro, mas, devido à superlotação nos hospitais do país, foi adiada até ser realizada recentemente em Kiev.
Traslado e homenagens
O corpo do religioso deve chegar a São José do Rio Preto nos próximos dias. Até a última atualização desta reportagem, a família aguardava a autorização para o traslado e a efetivação dos ritos fúnebres pela Igreja Católica.
Trajetória e missão
Conforme apurado, Robson iniciou sua trajetória como seminarista em São José do Rio Preto e, em 2011, mudou-se para Brasília. Posteriormente, foi enviado à Ucrânia após um sorteio para formação pelo seminário de Khmelnytskyi, uma das dioceses do país.
Em entrevista ao g1, o padre Valdinei Lobo de Almeida, que atualmente serve na paróquia Santuário das Almas de Rio Preto e era amigo próximo de Robson, contou que o missionário dedicou os últimos anos de sua vida a prestar assistência espiritual e solidária às vítimas e aos refugiados de guerra.
“Ele não tinha medo e dizia: ‘Se Deus me escolheu para estar aqui, se tenho que morrer na Ucrânia, na Ucrânia vou morrer’”, relembrou o colega com orgulho.
Valdinei afirmou que, quando o conflito com a Rússia começou, foi dada a Robson a possibilidade de retornar ao Brasil, mas ele decidiu permanecer no país em guerra. Segundo o amigo, a comunidade católica lamenta profundamente a perda e lembra do religioso como uma pessoa alegre e positiva.
“O Robson era uma pessoa muito alegre, muito extrovertida, estava sempre disponível e contente, sempre feliz com a missão para a qual foi enviado. A notícia da morte dele chocou muita gente. Todos nós aqui ficamos tristes, mas a esperança da ressurreição na vida eterna nos conforta, porque ele morreu fazendo o bem e evangelizando”, declarou Valdinei.



