O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu nesta sexta-feira (11) vingança pela morte de seu pai, o aiatolá Seyed Mohammad Khamenei, morto em um ataque a bomba em 1981. A declaração foi feita em uma mensagem à nação, transmitida pela televisão estatal.
Contexto histórico
O pai de Khamenei, Seyed Mohammad Khamenei, era um clérigo proeminente e foi morto em 27 de junho de 1981, quando uma bomba explodiu em seu escritório em Teerã. O ataque foi reivindicado pelo grupo de oposição Mujahedin do Povo (MEK), que na época lutava contra o regime islâmico. O assassinato ocorreu durante um período de intensa violência política no Irã, com vários ataques contra líderes religiosos e políticos.
A mensagem de Khamenei
Em sua mensagem, Khamenei disse que a morte de seu pai foi um "crime covarde" e que os responsáveis serão punidos. "A vingança virá, não importa quanto tempo leve", afirmou o líder supremo. Ele também disse que a memória de seu pai será honrada e que o Irã continuará a lutar contra seus inimigos.
Khamenei não especificou que tipo de ação de vingança seria tomada, mas analistas acreditam que a declaração pode ser um sinal de endurecimento do regime iraniano contra grupos de oposição, especialmente o MEK. O grupo, que atualmente está baseado na Albânia, já foi alvo de várias campanhas de repressão por parte do Irã.
Reações internacionais
A declaração de Khamenei foi recebida com preocupação por parte da comunidade internacional. Os Estados Unidos, que consideram o MEK uma organização terrorista até 2012, pediram moderação. "Apoiamos o direito do Irã de buscar justiça, mas a vingança não é o caminho", disse um porta-voz do Departamento de Estado.
A União Europeia também expressou preocupação, alertando para o risco de escalada de violência. "A retórica de vingança só alimenta o ciclo de violência", afirmou um porta-voz da UE.
Impacto interno
Dentro do Irã, a mensagem de Khamenei foi recebida com apoio de setores conservadores, mas também gerou críticas de grupos de direitos humanos, que veem a declaração como uma justificativa para novas repressões. Organizações como a Anistia Internacional lembraram que o regime iraniano já executa centenas de pessoas por ano e que a promessa de vingança pode levar a mais violações.
Analistas políticos apontam que a declaração de Khamenei pode ter como objetivo consolidar seu poder interno, especialmente em um momento de crise econômica e protestos populares. O líder supremo, que está no poder desde 1989, enfrenta desafios crescentes devido às sanções internacionais e à insatisfação da população.



