Irã e EUA divergem em pontos-chave das negociações de paz
Irã e EUA divergem em pontos-chave das negociações de paz

Declarações do Irã e dos Estados Unidos mostram que as negociações de paz ainda enfrentam obstáculos significativos. Dois países, um acordo e muitas dúvidas. Pior: versões diferentes sobre pontos centrais. Temas que dividem profundamente Teerã e Washington.

Reconstrução do Irã

O Irã sustenta que os americanos se comprometeram a ajudar na reconstrução do país, parcialmente destruído pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel. A imprensa iraniana menciona um valor de até US$ 300 bilhões. No entanto, o presidente Donald Trump nega; afirma que a ideia de investir dinheiro no Irã é ridícula.

Estreito de Ormuz

A disputa pelo Estreito de Ormuz continua. Segundo Teerã, o controle da passagem de uma parte importante do petróleo mundial será feito pelo Irã e por Omã, que garantirão a segurança da navegação em troca de uma taxa. Trump não quer cobrança de pedágio.

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Líbano

Há também fortes divergências sobre o Líbano. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, disse que o fim da guerra no país faz parte do entendimento e que os Estados Unidos devem garantir que Israel respeite o acordo. Já um alto funcionário americano afirmou que a saída das tropas israelenses do Líbano não está incluída no pacto. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já disse que não pretende retirar os militares do sul do território libanês, porque precisa defender Israel do grupo extremista Hezbollah, apoiado pelo Irã.

Tanto Irã quanto Estados Unidos declaram vitória, mas a diferença de versões revela que, mesmo com os avanços anunciados, ainda há muita incerteza sobre o alcance real do acordo. Os temas mais espinhosos, como o futuro do programa nuclear iraniano, ficaram para a próxima fase das negociações.

O cientista político Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, avalia que os Estados Unidos perderam influência no Oriente Médio: “Isso é talvez a questão mais visível agora, que até aliados dos Estados Unidos no Golfo vinham mantendo negociações bilaterais com o Irã, porque sentiram que os Estados Unidos não conseguem mais protegê-los de forma adequada. Então, essa perda de influência dos Estados Unidos no Oriente Médio reduz a capacidade de Washington de impor sua visão e obrigar todas as partes a implementar um acordo negociado por Washington e Teerã”.

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