Paralisação de anestesistas em Belém completa uma semana
A Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE) deu um prazo de cinco dias úteis para que a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) preste esclarecimentos sobre a greve dos anestesistas em Belém. A paralisação, que começou em 1º de junho, já afeta hospitais da rede municipal e unidades conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com a Sociedade de Trabalho dos Anestesiologistas do Pará (Stap), aproximadamente 120 profissionais aderiram ao movimento por causa do atraso nos pagamentos. A falta desses médicos resultou na suspensão de cirurgias eletivas no Hospital Ordem Terceira, Hospital Maradei, Beneficência Portuguesa e no Pronto-Socorro Municipal do Guamá.
Defensoria exige informações detalhadas
No ofício enviado à Sesma, o Núcleo de Atendimento Especializado da Criança e do Adolescente (Naeca) da DPE solicita dados precisos sobre os débitos pendentes, o número de procedimentos cancelados e as medidas administrativas adotadas para regularizar os serviços. O g1 tentou contato com a Sesma, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Crise se estende a outras áreas da saúde
Além das cirurgias eletivas, a crise atinge a porta de entrada da urgência e emergência. No Pronto-Socorro Mário Pinotti (PSM da 14 de Março), o atraso no repasse a empresas terceirizadas suspendeu os atendimentos de neurocirurgia, traumatologia e ortopedia. Servidores denunciam que o sistema de emissão de laudos de exames foi bloqueado por falta de pagamento. A empresa responsável pelo diagnóstico por imagem também ameaça desligar equipamentos de tomografia, raio-X e eletrocardiograma.
A paralisação agrava a situação de pacientes internados. A dona de casa Elisângela Franco Cunha, de 49 anos, deu entrada no PSM com aneurisma e hemorragia. Seu filho, Gabriel Cunha, tenta há dias a transferência para um leito de neurocirurgia, sem sucesso. Situação semelhante vive Karla Moreira: o marido sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e, mesmo com determinação judicial para transferência a um hospital especializado, a medida não foi cumprida. "Eu quero que meu marido saia daqui, mas num saco preto, não", desabafou.
Defensoria Pública da União pode intervir
Diante do volume de queixas, a Defensoria Pública da União (DPU) informou que as ações contra a prefeitura e a Sesma podem mudar de esfera. O defensor público Marcos Teixeira afirmou que o órgão avalia medidas para responsabilizar diretamente os agentes públicos envolvidos na gestão da saúde.



