O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, publicou críticas aos Estados Unidos em suas redes sociais nesta quinta-feira (4), elevando a tensão diplomática entre os dois países. A declaração ocorre um dia após o presidente norte-americano, Donald Trump, manifestar interesse em encontrar pessoalmente o líder iraniano.
Trump expressa desejo de encontro com Khamenei
Em entrevista a um podcast na quarta-feira (3), Trump afirmou que o Irã "concordou em não ter armas nucleares" e revelou que gostaria de conhecer o aiatolá Khamenei. O presidente disse que o líder iraniano está diretamente envolvido nas negociações de paz e que os dois poderão se encontrar "em algum momento". "Ele está envolvido, com certeza. Acho que eles têm muito respeito por ele. Gostaria de conhecê-lo. Provavelmente nos encontraremos em algum momento, dependendo de como tudo se desenrolar", declarou Trump.
O presidente norte-americano mostrou otimismo em relação ao andamento das conversas, afirmando que "a situação está evoluindo rapidamente". "O Irã é um grande sucesso. Veremos o que acontece. Estamos trabalhando em um acordo, e se isso acontecer, ótimo. Se não acontecer, tudo bem também. Faremos de outra maneira", completou.
Ameaças do conselheiro militar iraniano contradizem discurso de Trump
Apesar das declarações conciliatórias de Trump, o conselheiro militar de Khamenei, Mohsen Rezaei, publicou na rede social X uma mensagem que parece contradizer o tom das negociações. Após bombardeios dos EUA a um petroleiro iraniano e à ilha de Qeshm, que provocaram ataques retaliatórios do Irã contra o Kuwait e o Bahrein, Rezaei fez ameaças explícitas: "Cada tiro disparado e cada ataque serão respondidos com uma enxurrada de mísseis e drones. O agressor será punido rapidamente".
Conflito no Líbano gera discordância entre EUA e Irã
A ofensiva israelense no Líbano é outro ponto de atrito entre Washington e Teerã. Questionado sobre uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na terça-feira (2), Trump admitiu ter usado "termos agressivos". "Não diria que fiquei com raiva. Fiquei um pouco incomodado com as constantes brigas dele com o Líbano, sabe?", respondeu o presidente.
Negociações de paz oscilam entre avanços e retrocessos
Na segunda-feira (1º), Trump afirmou à ABC News que EUA e Irã deveriam chegar a um acordo para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz na próxima semana. Ele disse ter contornado um contratempo após o Irã ameaçar suspender as negociações devido aos ataques entre Israel e o Hezbollah. "Então, conversei com o Hezbollah e disse para não dispararem, e conversei com Bibi e disse para não dispararem, e ambos pararam de atacar um ao outro", afirmou.
O Irã condiciona qualquer trégua com os EUA a um cessar-fogo efetivo no Líbano. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, declarou que "insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra". Ele também acusou os EUA de violarem o cessar-fogo com Teerã e afirmou que o Irã não hesitará em defender sua segurança nacional.
Cessar-fogo frágil e Estreito de Ormuz fechado
Irã e Estados Unidos estão em cessar-fogo desde 7 de abril, mas trocaram ataques pontuais nas últimas semanas. O Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo, continua fechado para navegação. O principal ponto de discórdia nas negociações é o programa nuclear iraniano: os EUA exigem que Teerã renuncie a armas nucleares, enquanto o Irã afirma que o tema não está em discussão no momento.



