Guerra no Oriente Médio custa US$ 100 bi a companhias aéreas em 2025
Guerra no Oriente Médio custa US$ 100 bi a aéreas

A guerra no Oriente Médio gerou um impacto significativo no setor aéreo global. De acordo com estimativas divulgadas pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), os conflitos na região acrescentaram US$ 100 bilhões à conta coletiva de combustível das companhias aéreas neste ano. Esse aumento nos custos deve reduzir o lucro líquido do setor para aproximadamente US$ 23 bilhões, praticamente a metade dos US$ 45 bilhões registrados no ano anterior.

Margens em queda e demanda em desaceleração

Com os custos elevados, a margem líquida do setor deve despencar de 4,2% para 2,0% na comparação anual. As projeções foram apresentadas neste domingo por Willie Walsh, diretor-geral da IATA, durante a 82ª conferência anual da entidade, realizada no Rio de Janeiro.

Apesar do cenário desafiador, Walsh afirma que a situação atual não pode ser classificada como uma crise. Ele destaca que a demanda global por voos continua crescendo, embora em ritmo mais lento do que o esperado antes do conflito. No segmento de passageiros, o crescimento é de 2,1%, enquanto no transporte de carga o avanço é de 0,7%.

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Pico da crise entre março e abril

O executivo apontou que o auge da crise para o setor ocorreu entre março e abril. Dados divulgados no final de maio mostram que, em abril, a demanda total — medida em quilômetros pagos por passageiro — caiu 3,4% em comparação com o mesmo mês de 2025. No entanto, quando excluídos os dados do Oriente Médio, a demanda registrou alta de 1,2%.

Walsh comparou o período com o início da pandemia de Covid-19, lembrando que em março de 2020 a queda no transporte aéreo global foi de 99%. Ele ressaltou que, embora a situação atual seja menos severa, os impactos são relevantes.

Clientes absorvem alta de custos, mas há limites

Em nota oficial, Walsh comentou que as companhias aéreas precisaram elevar o preço das passagens para compensar os custos elevados do combustível. Até o momento, os clientes têm suportado esses aumentos, mantendo seus planos de viagem. “Nossas pesquisas sugerem que 86% dos viajantes esperam que as tarifas acompanhem os preços do petróleo. Em linha com isso, 49% esperam gastar mais com viagens neste ano do que no passado. Outros 43% planejam gastar o mesmo”, afirmou.

Para Walsh, esse comportamento é um bom sinal para a forte temporada de pico do verão no Hemisfério Norte. No entanto, ele alertou: “A grande incógnita é por quanto tempo viajantes e embarcadores conseguirão tolerar os custos mais altos de conectividade”.

Críticas à cadeia de suprimentos aeroespacial

Durante a coletiva de imprensa na assembleia da IATA, Walsh fez duras críticas à cadeia de suprimentos aeroespacial. Segundo ele, os fabricantes continuam falhando na entrega de aeronaves e motores conforme o prometido. “A carteira de pedidos de aeronaves supera 18 mil unidades. E a idade média da frota atingiu o recorde de 15,2 anos. Além disso, a falta de mais de 5 mil aeronaves de reposição mais eficientes em consumo de combustível, com as quais contávamos, significa ganhos de eficiência perdidos, sem mencionar taxas de leasing mais altas e aumento dos custos de manutenção”, listou.

O executivo estima que as falhas na cadeia de suprimentos custaram às companhias aéreas pelo menos US$ 11 bilhões em 2025. “Os preços mais altos do combustível hoje só vão piorar isso”, acrescentou.

Walsh comparou a situação das aéreas com a dos fabricantes de motores, que registraram lucros com crescimento de dois dígitos. “Os fabricantes precisam se organizar. Perdemos a paciência com eles. Eles precisam focar nos clientes, entregar motores que funcionam. Antes, quando se comprava uma aeronave, não havia preocupação se o motor ia funcionar ou não. Isso era dado”, comentou.

Em tom firme, ele declarou: “Minha mensagem aos OEMs [fabricantes de equipamentos originais] é simples: parem de explorar as companhias aéreas e voltem a fabricar ótimos motores, que funcionem e durem. Permitir que essas falhas se estendam para a próxima década é totalmente inaceitável para os clientes.”

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Infraestrutura, descarbonização e segurança

O diretor-geral da IATA também pediu avanços em outros temas cruciais para as companhias aéreas, como infraestrutura, políticas de descarbonização e padronizações globais. Sobre segurança, ele lembrou o forte histórico do setor. “Com um acidente a cada 760 mil voos, voar é a forma mais segura de viajar. Quase 5 bilhões de pessoas viajaram com segurança em 39 milhões de voos no ano passado. Houve, contudo, 51 acidentes, 8 dos quais fatais. Cada um deles foi uma tragédia”, afirmou.

Segundo Walsh, a história mostra o caminho para tornar o setor ainda mais seguro: padrões globais, apoiados pelas melhores práticas do setor e por insights baseados em dados, refletidos em uma regulamentação global consistente. “As fragilidades surgem quando os padrões globais não são aplicados”, concluiu.