EUA negam controle iraniano no Estreito de Ormuz e confirmam tráfego normal
EUA negam controle iraniano no Estreito de Ormuz

O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos negou que o Estreito de Ormuz esteja fechado para navegação e afirmou que o Irã não está no controle da rota. Em comunicado divulgado neste domingo (12) na rede social X, a entidade declarou: "O Estreito de Ormuz está aberto a todos os navios que buscam transitar legalmente pela via navegável internacional. As forças dos EUA estão posicionadas e preparadas para garantir que a liberdade de navegação permaneça disponível, apesar da agressão iraniana injustificada, assédio, ameaças e declarações arbitrárias. O Irã não controla o estreito. O tráfego está fluindo".

Irã ataca alvos ligados aos EUA em três países do Golfo

No mesmo domingo, o Irã atacou alvos ligados aos Estados Unidos em três países do Golfo Pérsico, após sofrer nova ofensiva contra seu território. Em comunicado, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e afirmou ter destruído um centro de comando e controle e hangares de drones na Jordânia, aliado dos EUA; atacado um radar americano no Kuwait; atacado plataformas de apoio e reabastecimento de porta-aviões americanos em Omã; e destruído um centro de manutenção de jatos e uma instalação de comando no Catar.

Autoridades dos Emirados Árabes Unidos disseram que seus sistemas de defesa interceptaram mísseis e drones provenientes do Irã, mas depois confirmaram que as ameaças detectadas estavam fora das fronteiras do país. Sirenes de alerta soaram no Bahrein. O governo do Catar confirmou a interceptação de mísseis e informou que três pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas por estilhaços. O Catar condenou os ataques de Teerã, classificando-os como uma "grave escalada que complica os esforços para conter as tensões na região". Segundo a agência de notícias estatal da Jordânia, três mísseis disparados do Irã causaram danos materiais leves e nenhuma vítima.

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EUA atingem 140 alvos militares iranianos

Os ataques representam uma escalada acentuada da tensão na região. No sábado (11), o Comando Central das Forças Armadas norte-americanas afirmou ter atingido 140 alvos militares iranianos, de um total de mais de 300 durante três noites de ataques, "para prejudicar a capacidade do Irã de atacar marinheiros civis e embarcações comerciais que transitam livremente pelo estreito". O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, escreveu na rede social X: "O Irã fez uma má escolha. Agora está pagando o preço".

A mídia estatal iraniana noticiou explosões no sul do país, nas cidades de Bandar Abbas, Sirik e Jask, na ilha de Qeshm, e também na província do Khuzistão, na fronteira com o Iraque. Não houve relatos imediatos de vítimas. De acordo com as agências Mehr e Tasnim, citando uma autoridade local, a ofensiva dos EUA matou um soldado: "O tenente Hamidreza Dehghani, da Marinha das Forças Armadas da República Islâmica, foi martirizado durante o ataque terrorista criminoso realizado ontem à noite pelos Estados Unidos ao porto de Jask".

Irã fecha estreito e detém embarcação

Após os bombardeios, o Irã afirmou ter fechado o Estreito de Ormuz e disparado tiros de advertência contra embarcações. A Guarda Revolucionária declarou: "Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida". E acrescentou: "O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar".

Neste domingo, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, um ataque ocorreu a cerca de 17 km a leste da Península de Musandam, pertencente a Omã, provocando incêndio a bordo e obrigando a tripulação a abandonar o navio em um bote salva-vidas. Autoridades de Omã informaram que 23 membros da tripulação do navio GFS Galaxy foram resgatados, mas a busca por um tripulante desaparecido continua. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, que atua como mediador, pediu que ambos os lados "exerçam moderação".

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Negociações e tensão diplomática

Antes dos ataques iranianos, no sábado, Irã e Omã realizaram negociações sobre a guerra e a navegação em Ormuz, com participação de uma delegação do Catar, outro mediador. Autoridades iranianas declararam que "os futuros arranjos para a gestão do tráfego no Estreito de Ormuz devem ser elaborados conjuntamente pelos dois Estados costeiros" e que "concordaram em continuar as discussões nos níveis político, técnico e jurídico para chegar a um consenso sobre a segurança da navegação no Estreito".

Apesar das conversas, as vias diplomáticas não parecem eficazes. Em 17 de junho, Washington e Teerã assinaram um memorando de entendimento com cessar-fogo de 60 dias para encontrar solução definitiva. No entanto, desde quarta-feira (8), o presidente dos EUA, Donald Trump, vem repetindo que o acordo "acabou". No dia 7 de junho, os EUA bombardearam alvos no Irã após acusá-lo de atacar três navios comerciais no Estreito de Ormuz. A tensão aumentou ainda mais quando, no sábado (11), após o funeral de seu pai Ali Khamenei, morto pelos EUA e Israel, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que a "vingança" era "inevitável". Na sexta, após notícias sobre um suposto plano iraniano para assassiná-lo, Trump acusou o Irã de conspiração e prometeu "dizimar e destruir completamente todas as regiões" do país caso tentem matá-lo.