Um novo estudo científico projeta que a ocorrência de um Super El Niño pode mais que dobrar o número de casos de dengue na região Sudeste do Brasil. A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), alerta para os impactos das mudanças climáticas na proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Projeções alarmantes para o Sudeste
De acordo com o estudo, durante um evento de Super El Niño, os casos de dengue podem aumentar entre 100% e 120% em comparação com anos sem o fenômeno. A região Sudeste, que inclui os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, é a mais afetada devido às condições climáticas favoráveis ao mosquito. O coordenador da pesquisa, Dr. Carlos Magno, afirma: "O Super El Niño cria um ambiente ideal para a reprodução do Aedes aegypti, com temperaturas mais altas e chuvas irregulares."
Mecanismos climáticos e proliferação
O Super El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera os padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo. No Brasil, especialmente no Sudeste, o fenômeno provoca verões mais quentes e chuvosos, aumentando os criadouros do mosquito. O estudo utilizou modelos climáticos e epidemiológicos para simular cenários futuros, considerando dados históricos de surtos de dengue e variáveis climáticas.
Impacto na saúde pública
O aumento projetado representa um desafio significativo para o sistema de saúde. Em 2024, o Brasil registrou mais de 6 milhões de casos prováveis de dengue, com o Sudeste concentrando a maioria. Com o Super El Niño, esse número pode superar 12 milhões na região. A pesquisadora Dra. Ana Beatriz ressalta: "Precisamos de medidas preventivas urgentes, como campanhas de vacinação e controle vetorial, antes que o fenômeno se intensifique."
Recomendações e preparação
Os autores do estudo recomendam que governos estaduais e municipais elaborem planos de contingência, incluindo estoques de insumos, treinamento de profissionais de saúde e campanhas de conscientização. Além disso, sugerem o fortalecimento da vigilância epidemiológica e a integração de dados climáticos nas políticas de saúde. O estudo foi publicado na revista científica "Climate and Health" e serve como um alerta para a necessidade de adaptação às mudanças climáticas.



