O fenômeno El Niño deve se intensificar de forma constante nos próximos três meses (90 dias), segundo previsão divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O alerta é da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da ONU, que monitora as condições climáticas globais.
A previsão indica que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial seguirá em ritmo crescente, com potencial para alterar padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta. Os efeitos devem ser sentidos principalmente nas Américas, com mudanças no regime de chuvas e aumento da temperatura média.
Impactos no clima global
De acordo com a OMM, o fortalecimento do El Niño tende a elevar as temperaturas globais e a intensificar eventos extremos, como secas prolongadas, enchentes e ondas de calor. Nos próximos 90 dias, a combinação do fenômeno com o aquecimento global pode agravar as condições já observadas.
O organismo internacional reforça que o monitoramento contínuo é essencial para que países afetados possam antecipar medidas de adaptação e mitigação. A previsão é baseada em modelos climáticos e na análise de dados satelitais, segundo a ONU.
Historicamente, episódios de El Niño estão associados a alterações significativas na circulação atmosférica, com impactos que vão desde a redução das chuvas na Amazônia até o aumento da frequência de ciclones no Pacífico. A atual tendência de intensificação impõe a necessidade de preparação em escala global.
Efeitos para o Brasil
O Brasil deve sentir os impactos do El Niño de diferentes maneiras, dependendo da região. No Norte e Nordeste, a tendência é de redução das chuvas, o que pode afetar a agricultura, os níveis dos reservatórios e o abastecimento de água. Já no Sul, há maior probabilidade de chuvas intensas, com risco de enchentes, deslizamentos e perdas agrícolas.
No Sudeste e Centro-Oeste, o fenômeno pode provocar alternância entre períodos secos e chuvosos, influenciando a produção de energia hidrelétrica e o cultivo de grãos. A intensificação constante, como indicado na previsão, exige atenção especial das autoridades para evitar danos à população e à economia.
Especialistas em meteorologia destacam que a temperatura da superfície do mar no Pacífico está acima da média, um dos indicadores usados para monitorar a evolução do El Niño. A OMM recomenda que defesas civis e setores produtivos acompanhem os boletins climáticos e adotem planos de contingência.
Alerta da ONU
A ONU alerta que o El Niño seguirá ativo durante o trimestre e que os impactos podem ser amplificados pela crise climática. A recomendação é que os governos implementem estratégias de adaptação, especialmente nas áreas de segurança alimentar, recursos hídricos e gestão de riscos de desastres.
O órgão destaca ainda que sistemas de alerta precoce e a cooperação internacional são ferramentas cruciais para reduzir os efeitos do fenômeno. Países mais vulneráveis, como os localizados na América Central e no Sudeste Asiático, precisam de apoio adicional para lidar com as consequências.
O próximo relatório completo da OMM deve apresentar detalhes sobre a evolução do El Niño e as projeções para o restante do ano. Até lá, permanece a expectativa de que a intensificação continue no ritmo previsto, reforçando a necessidade de vigilância contínua por parte de todos os atores envolvidos.



