O El Niño está chegando e cidades brasileiras precisam estar alertas. Especialistas cobram que autoridades planejem ações para enfrentar os impactos do fenômeno climático, que pode trazer chuvas intensas no Sul e temperaturas mais altas no Norte e Nordeste.
Guardião da sirene em Francisco Morato
Em Francisco Morato, na Grande São Paulo, Rafael Nunes de Souza Silva é o guardião de uma das sirenes do bairro, instalada para avisar moradores sobre perigos de deslizamentos e inundações. A cidade tem 130 áreas de risco. “O clima está diferente, né? Você vê que daqui a pouco chove, daqui a pouco sol. Então, é muito importante esse equipamento aí para a gente aqui”, diz o mecânico de ar condicionado.
Monitoramento intensificado pela Defesa Civil
Na sede da Defesa Civil do município, o monitoramento está mais constante por causa da chegada do El Niño. Os agentes organizam novo treinamento para alertar a comunidade. “Geralmente, o nosso plano de contingência é usado no verão. Porém, com essa questão agora do El Niño e com tantas mudanças climáticas, a gente está tendo esses problemas fora de época que era o esperado”, afirma Deocléssio de Lara Souza, diretor da Defesa Civil de Francisco Morato.
Pontos de encontro em emergências
Em emergências, quando a sirene toca, moradores devem ir a pontos de encontro definidos pela Defesa Civil, como uma igreja, fora da área de risco, onde terão atendimento.
Cemaden alerta para impactos regionais
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) acompanha o El Niño e afirma que os municípios precisam estar preparados. Com mais de 5 mil equipamentos de coleta de dados, emite alertas para órgãos federais, estaduais e municipais. “Nós podemos cravar que o El Niño contribui com mais chuvas mais intensas na Região Sul do Brasil e, nas regiões mais secas, como o Norte e o Nordeste do país, com temperaturas mais altas, com possíveis impactos de incêndios, de queimadas que têm impactos para saúde, para fauna, para flora”, afirma Regina Alvalá, diretora do Cemaden.
Prevenção e ação integrada
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, diz que além de planos de emergência, é preciso prevenção: “Limpar os esgotos, fazer limpeza, armazenagem de água potável. Nós temos mais de 1,5 mil municípios com um alto risco que a gente já sabe. Isso que é o mais lamentável. Porque a gente já tem o diagnóstico, já sabe que muitas coisas voltam a ocorrer no mesmo local”.



