A Copa do Mundo de 2026, que começa nesta quinta-feira (11), promete ser uma celebração do futebol, mas também acende um alerta ambiental. De acordo com um estudo da plataforma de contabilização de carbono Greenly, o torneio pode gerar 7,8 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono, mais que o dobro das emissões da Copa do Catar de 2022. Isso equivale à poluição anual de 1,7 milhão de carros ou às emissões anuais de Serra Leoa.
Viagens são o principal vilão
Pesquisadores estimam que até 87% das emissões do torneio virão de viagens, principalmente voos. Com 48 seleções e 16 cidades-sede espalhadas por Canadá, Estados Unidos e México, as distâncias percorridas por equipes, torcedores e imprensa são enormes. A ecologista esportiva Madeleine Orr afirmou à Reuters que a Copa é divertida para o esporte, mas ruim para o clima.
Comparação com o Catar
Enquanto a Copa do Catar de 2022 gerou cerca de 3,8 milhões de toneladas de CO2, a edição de 2026 deve superar esse número. Embora nenhum novo estádio tenha sido construído, a expansão para mais seleções e a distribuição geográfica aumentaram o custo ambiental. O geógrafo David Gogishvili, da Universidade de Lausanne, destacou que eliminar uma fonte de impacto (construção de estádios) cria outra (viagens).
Medidas da Fifa
Na COP26, a Fifa se comprometeu a reduzir pela metade suas emissões até 2030 e atingir zero líquido até 2040. No entanto, não estabeleceu metas específicas para a Copa. A entidade destacou iniciativas como uso de estádios existentes, incentivo ao transporte público, redução de geradores a diesel e programas de reciclagem.
Os locais da Copa foram divididos em três grupos regionais (Oeste, Centro e Leste) para minimizar distâncias. A Inglaterra, por exemplo, terá jogos em Dallas, Boston e Nova Jersey, exigindo longas viagens. A Fifa afirmou que acolhe as críticas e implementa diversas ações ambientais.



