Calor extremo na Índia: como Banda se adapta a temperaturas de 48°C
Calor extremo na Índia: a luta de Banda contra 48°C

No distrito de Banda, em Uttar Pradesh, na Índia, o verão de 2024 trouxe temperaturas recordes, com os termômetros marcando entre 47°C e 48°C por mais de uma semana. Para os mais de 2 milhões de habitantes, a vida precisou ser reorganizada para suportar o calor extremo.

A rotina alterada pelo calor

O mercado de hortaliças de Atarra, a 30 km do centro de Banda, agora fecha antes das 8h, quando o sol já castiga. Agricultores chegam ao amanhecer para vender tomates, abóboras e outros produtos antes que estraguem. "Uma caixa de tomates precisa ser vendida hoje ou amanhã. Com esse clima, eles não duram", disse Himanshu, comerciante local.

O pedreiro Pappu Verma ajustou seu horário: trabalha das 7h ao meio-dia e depois das 16h às 19h, com uma pausa de quatro horas para evitar o pior calor. "Ainda assim você tem que cumprir oito horas", afirma. "O descanso evita dores de cabeça e tontura, mas estica o dia para 12 ou 13 horas."

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Trabalhadoras se abrigam sob caminhão-pipa

Em um dia com temperatura de 46°C, três trabalhadoras almoçaram à sombra de um caminhão-pipa sobre a ponte do rio Ken. Shanti Devi, que caminha 6 km até o trabalho, levava pão com cebola e picles. "Se levar legumes, estragam antes do meio-dia", explicou. "Os pobres não podem se dar ao luxo de se preocupar com o calor."

O círculo vicioso do calor e da água

Pesquisadores apontam que a extração de areia e o esgotamento das águas subterrâneas reduziram a capacidade do rio Ken de refrescar a região, criando um ciclo onde a falta de água e o calor extremo se reforçam. Os efeitos econômicos são visíveis: motoristas de tuk-tuk enfrentam tardes sem passageiros, e o comércio perde metade dos clientes.

Os hospitais locais recebem de 15 a 20 casos diários de crianças e idosos com diarreia, vômito e febre, segundo o superintendente médico K. Kumar.

Calor úmido e vulnerabilidade

A planície indo-gangética, que inclui Uttar Pradesh, é considerada um ponto crítico para calor úmido, que combina altas temperaturas e umidade, sobrecarregando o corpo humano. A densidade populacional, o trabalho ao ar livre e o acesso limitado a refrigeração tornam a região vulnerável.

Banda, perto do Trópico de Câncer, perdeu quase um sexto de sua cobertura florestal entre 1991 e 2022, segundo estudo da Universidade de Agricultura e Tecnologia de Banda. O meteorologista Dinesh Sah destaca que a persistência do calor é a novidade: "Por oito ou nove dias, as temperaturas de 47°C a 48°C se mantiveram sem interrupção."

Falta de água e noites quentes

No vilarejo de Achharaund, um único poço fornece água potável. Kranti Vishwakarma, de 18 anos, passa quatro ou cinco horas por dia buscando água. "Não temos geladeira nem ar-condicionado. As árvores de nim fazem esse papel."

Chunubadi, de 80 anos, senta-se ao lado de um ventilador improvisado. "Nos meus 80 anos, nunca vi um calor como este. Não sei se conseguirei suportar isso." As temperaturas noturnas ficam em torno de 30°C, impedindo o corpo de se refrescar.

Adaptação, não alívio

Os moradores se adaptaram com roupas grossas, horários alternados e busca por sombra. Uma mudança no tempo trouxe chuva e queda de 8°C, mas o alívio foi temporário. Estudo da Universidade da Califórnia estima que Uttar Pradesh pode registrar mais de 8 mil mortes adicionais durante uma onda de calor de cinco dias.

Apesar dos riscos, muitos moradores minimizam o perigo. "Estamos acostumadas", disseram as trabalhadoras sob o caminhão-pipa. Mas cientistas alertam que a tendência de aquecimento torna a vida cada vez mais difícil, especialmente para os pobres.

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