O Ministério das Mulheres registrou um aumento de 188,6% nos casos de violência digital contra mulheres, o que motivou a ampliação do serviço Ligue 180 para incluir denúncias de estupro virtual e outros crimes cibernéticos. A atualização também abrange ameaças online e divulgação de imagens íntimas sem consentimento.
O que muda no Ligue 180
A partir de agora, o Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher – passa a receber denúncias específicas de estupro virtual, crime caracterizado por atos sexuais praticados por meios digitais, como coerção para produção de conteúdo íntimo ou exposição não autorizada. A medida integra a campanha "O Digital é Nosso Lugar" e segue as diretrizes do Decreto nº 12.976/2026, que estabelece ações de enfrentamento à violência online.
Dados alarmantes
Segundo o Ministério, o número de ocorrências de violência digital saltou 188,6% no último período analisado. A pasta não detalhou o intervalo exato, mas atribui o crescimento ao maior uso de plataformas digitais e à impunidade. "Estamos falando de um crime que deixa marcas profundas e que muitas vezes não é denunciado por falta de canais adequados", afirmou a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, em nota.
Como denunciar
Para denunciar estupro virtual, ameaças ou divulgação de imagens íntimas sem consentimento, a vítima ou qualquer cidadão pode ligar para o número 180, disponível 24 horas, inclusive em feriados. O serviço oferece acolhimento, orientação jurídica e encaminhamento para órgãos competentes, como delegacias especializadas. Também é possível denunciar pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil ou pelo site do Ministério.
Campanha de conscientização
A campanha "O Digital é Nosso Lugar" prevê ações de educação digital e treinamento de profissionais para identificar e atender casos de violência online. O Decreto nº 12.976/2026, publicado no Diário Oficial da União, define protocolos para remoção de conteúdo íntimo não autorizado e cooperação com plataformas digitais. "Não podemos aceitar que o ambiente virtual se torne um espaço de violência. A internet deve ser segura para todas", completou a ministra.
Impacto da medida
A especialista em direitos digitais Marina Prado, consultada pela reportagem, avalia que a inclusão do estupro virtual no Ligue 180 é um avanço, mas destaca a necessidade de capacitação contínua. "O treinamento dos atendentes é crucial para que a vítima se sinta acolhida e receba a orientação correta", disse. O Ministério informou que já capacitou mais de 2 mil profissionais desde o início do ano.



