Após aproximadamente seis meses vivendo no Aeroporto Internacional de Belém, uma mulher natural de Serra Leoa finalmente deve seguir viagem para o destino que esperava há meses. O caso de Fatmata Sessay, de 56 anos, ganhou repercussão e mobilizou autoridades, instituições de assistência e moradores da capital paraense.
Histórico da situação
A história começou no fim de 2025, quando ela saiu de São Paulo com destino ao Panamá, onde vivem parentes, mas teve a viagem interrompida após problemas com o passaporte. Sem dinheiro para comprar outra passagem, passou a dormir em áreas do terminal e a depender da ajuda de pessoas que circulavam pelo local. Durante o dia, conseguia o básico em uma instituição de assistência. “Eu dormia aqui, saía, depois voltava pra cá”, disse Fatmata, ao lembrar a rotina improvisada no aeroporto.
Atuação das autoridades
A situação chamou a atenção e levou à atuação da Defensoria Pública da União (DPU) e dos Ministérios Públicos Federal (MPF) e do Estado (MPPA), que passaram a acompanhar o caso. Segundo o promotor de Justiça Nadilson Portilho, a situação ainda estava em apuração, mas as providências começaram a ser tomadas para regularizar a documentação da migrante. Ele informou que "a garantia de direitos vale não apenas para o aeroporto, mas para qualquer instituição que receba estrangeiros em território brasileiro".
Comoção popular
A comoção em torno da história também levou uma dona de casa a ir até o aeroporto disposta a ajudar. Carla Livramento contou que se sensibilizou com a situação e disse entender o que é estar longe da própria terra. No fim, porém, a ajuda espontânea já não era mais necessária.
Desfecho
Depois de meses de incerteza, Fatmata teve o passaporte restituído e uma nova passagem emitida. A previsão é que ela embarque no próximo dia 22 de junho, encerrando a espera e deixando para trás o período de angústia vivido no terminal. A concessionária do Aeroporto de Belém informou que, "desde que tomou conhecimento da situação da passageira estrangeira, adotou todas as providências cabíveis, mantendo contato com órgãos públicos responsáveis" e que "permanece colaborando com as autoridades competentes". Já a Justiça Federal determinou o prazo de 48 horas para que a Secretaria de Justiça do Pará e da União, e o Ministério das Relações Exteriores assegurem assistência à migrante, junto à representação diplomática de Serra Leoa, na obtenção dos vistos para entrada dela na Colômbia e no Panamá. Com a viagem finalmente encaminhada, a expectativa da migrante é recomeçar a vida no Panamá. “Vou procurar trabalhar”, afirmou.



