Cessar-fogo entre Israel e Líbano eleva esperanças de paz com Irã
Um novo acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o Líbano trouxe esperanças nesta quinta-feira de que haja progresso em direção ao fim da guerra mais ampla travada pelos EUA e Israel contra o Irã. No entanto, ainda há incertezas sobre como e quando o acordo será implementado.
Teerã havia estabelecido um cessar-fogo no Líbano como condição para qualquer acordo de paz com Washington e, nos últimos dias, sugeriu que poderia intervir diretamente em apoio ao Hezbollah, seu aliado, caso Israel mantivesse ou intensificasse os ataques no país libanês.
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que o novo cessar-fogo entraria em vigor dentro de 24 horas após a aprovação de todas as partes envolvidas, aparentemente referindo-se ao Hezbollah, que não participa diretamente do acordo e não se pronunciou sobre ele.
Contudo, lançando dúvidas sobre a solidez da trégua, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse nesta quinta-feira que os militares continuariam a atacar no Líbano por enquanto e não se retirariam do sul do país.
O comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã, Esmail Qaani, afirmou que a exigência mínima seria a retirada de Israel para as posições ocupadas antes do início da guerra, conforme informou a mídia estatal iraniana.
Explosão no Golfo
O acordo ocorre após um surto de violência em toda a região. As forças iranianas trocaram ataques no Golfo na quarta-feira, em um dos combates mais intensos desde que outro cessar-fogo interrompeu o bombardeio em larga escala dos EUA e Israel contra o Irã no início de abril.
As forças iranianas atacaram o Kuwait, danificando o aeroporto local e ferindo dezenas de pessoas, segundo autoridades. Enquanto isso, os militares dos EUA realizaram ataques perto do Estreito de Ormuz.
O estreito, por onde normalmente passa um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás natural liquefeito, permanece praticamente fechado há mais de três meses desde que os EUA e Israel lançaram seus ataques contra o Irã. Os preços do petróleo perderam parte dos ganhos do dia anterior nesta quinta-feira, na esperança de que o cessar-fogo no Líbano possa ajudar Washington e o Irã a encontrar uma saída diplomática para a guerra.
O presidente dos EUA, Donald Trump, que enfrenta pressão para baixar os preços dos combustíveis, sugeriu que pode haver progresso nas negociações com o Irã já neste fim de semana.
“Se acontecer, pode acontecer no fim de semana”, disse Trump a repórteres no Salão Oval da Casa Branca na quarta-feira, sem detalhar o que ele espera que ocorra dentro desse prazo.
Trump afirmou que as partes estão trabalhando para separar a questão da reabertura do estreito do conflito no Líbano.
Irã nega ataque
Os ataques de quarta-feira no Kuwait danificaram as instalações do aeroporto e missões diplomáticas, matando uma pessoa e ferindo mais de 60, segundo autoridades kuwaitianas e a mídia estatal.
A elite dos Guardas Revolucionários do Irã negou ter disparado contra o aeroporto do Kuwait e atribuiu a destruição a mísseis interceptadores dos EUA que não atingiram seus alvos, conforme a mídia estatal iraniana. Os militares dos EUA, por sua vez, afirmaram que drones iranianos atacaram o aeroporto deliberadamente.
A mídia iraniana informou que os Guardas Revolucionários também atacaram a sede da Quinta Frota dos EUA no Bahrein e uma base aérea dos EUA. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) negou que suas bases tenham sido atingidas e disse que mísseis balísticos iranianos não conseguiram atingir seus alvos na região.
O CENTCOM afirmou ter realizado uma nova rodada de “ataques defensivos” no sul do Irã, alvejando locais de lançamento de mísseis e barcos iranianos que tentavam colocar minas, além de ataques na Ilha Qeshm, perto do estreito, após tentativas de ataques iranianos.



