O tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, caiu ao menor nível em cinco semanas, de acordo com dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg. A redução reflete o aumento das tensões geopolíticas na região, com riscos de segurança que afetam o transporte de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
Queda no fluxo de petroleiros
Nos últimos dias, o número de petroleiros que atravessaram o estreito caiu para cerca de 20 por dia, ante uma média de 25 a 30 em semanas anteriores. A passagem, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é responsável por cerca de 20% do consumo global de petróleo, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
A redução no tráfego ocorre em meio a incidentes recentes, como a apreensão de navios por forças iranianas e ataques a embarcações comerciais, atribuídos a grupos apoiados pelo Irã. O governo iraniano, por sua vez, nega envolvimento direto, mas alertou para a possibilidade de fechamento do estreito em resposta a sanções ocidentais.
Impacto nos preços do petróleo
A queda no tráfego já impacta os mercados globais. O barril do petróleo Brent, referência internacional, subiu mais de 3% nas últimas 24 horas, sendo negociado a US$ 85,70. Analistas do banco Goldman Sachs estimam que um fechamento prolongado do estreito poderia elevar os preços para até US$ 120 por barril, afetando economias dependentes de importações, como Índia e Japão.
"A situação no Estreito de Ormuz é a maior ameaça ao fornecimento global de energia desde a Guerra do Golfo", afirmou John Smith, analista sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). "Qualquer interrupção significativa teria consequências imediatas para a inflação e o crescimento econômico mundial."
Medidas de segurança e alternativas
Em resposta, os Estados Unidos anunciaram o envio de navios de guerra adicionais para a região, em coordenação com aliados como Reino Unido e Arábia Saudita. A Marinha dos EUA já realiza patrulhas para garantir a liberdade de navegação, mas o risco de escalada permanece.
Alternativas logísticas, como o uso de oleodutos terrestres na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, têm capacidade limitada para compensar uma paralisação total do estreito. A Arábia Saudita opera o oleoduto Petroline, com capacidade de 5 milhões de barris por dia, mas a infraestrutura já opera perto do limite.
A crise também reacende o debate sobre a dependência global do petróleo do Oriente Médio. Países importadores, como a China, maior comprador de petróleo iraniano, buscam diversificar fontes, aumentando compras da Rússia e do Brasil.
Perspectivas futuras
Diplomatas europeus tentam mediar uma redução das tensões, com reuniões previstas entre representantes do Irã e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). No entanto, analistas avaliam que as negociações devem ser lentas, enquanto o tráfego no estreito continua vulnerável a novos incidentes.
Segundo dados da Vortexa, empresa de rastreamento de cargas, o volume de petróleo que atravessou o estreito nos últimos sete dias foi de 14 milhões de barris, o menor desde meados de junho. A tendência de queda pode se intensificar se novas hostilidades ocorrerem.



