O presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou nesta sexta-feira, 5, a proposta do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, para um encontro presencial sobre o conflito que já dura quatro anos, afirmando não ver 'nenhum sentido' nisso. A declaração ocorreu durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, onde Putin classificou a carta aberta de Zelenski como 'grosseira'.
Contexto da proposta
Na quinta-feira, 4, Zelenski publicou uma carta aberta diretamente para Putin, pedindo um encontro presencial e sugerindo um cessar-fogo enquanto as negociações para o fim da guerra continuam. No documento, o presidente ucraniano fez críticas abrangentes aos 26 anos de poder de Putin e provocou o líder russo sobre sua idade. Após a publicação, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que 'as portas estão abertas' para receber Zelenski, mas enfatizou que Putin ainda não havia lido a carta.
Resposta de Putin
Putin questionou se a carta aberta criaria condições para encontros pessoais ou tornaria qualquer reunião impossível, concluindo que seria a segunda opção. Ele mencionou que um empresário russo não identificado viajou a Kiev no mês passado e se encontrou com Zelenski para ouvir a oferta de reunião pessoal. No entanto, Putin afirmou não ver sentido em tal encontro, especialmente após o ataque com drones ucranianos em 22 de maio contra um dormitório universitário na região de Luhansk, controlada pela Rússia, que, segundo Moscou, matou 21 pessoas e feriu dezenas.
Críticas e ironias
Em resposta às críticas de Zelenski sobre sua idade e longa permanência no poder, Putin, de 73 anos, apontou para outros líderes mundiais mais velhos, dizendo que 'o principal não é a idade; o principal é a capacidade de trabalhar'. Ele também zombou da conturbada reunião de Zelenski no Salão Oval em 2025 e agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, por 'educar' Zelenski 'diante dos olhos do mundo inteiro' e ensiná-lo a se vestir adequadamente. 'Ainda há muito a ser feito', acrescentou.
Posição dos EUA
Em Washington, Trump voltou a dizer que espera que Putin e Zelenski consigam se encontrar para resolver a guerra na Ucrânia. Zelenski reconheceu a mudança nas prioridades dos EUA, afirmando que seria errado esperar que o governo Trump voltasse sua atenção para o fim dos combates na Ucrânia enquanto permanece focado na guerra com o Irã.
Negociações e cessar-fogo
Putin já havia oferecido a Zelenski a oportunidade de ir a Moscou para negociações, oferta que o líder ucraniano rejeitou categoricamente. No mês passado, Putin afirmou que não descartava um encontro em um terceiro país, mas apenas quando houvesse um acordo a ser assinado. Nesta sexta, Putin rejeitou novamente a pressão por um cessar-fogo imediato, argumentando que Moscou deseja uma solução abrangente, não uma trégua temporária. Ele afirmou que a Rússia está aberta a um acordo sobre a Ucrânia, em linha com os entendimentos alcançados na cúpula do ano passado com Trump em Anchorage, no Alasca, e que a Ucrânia precisa aceitá-los para pôr fim ao conflito. 'Naturalmente, o lado ucraniano gostaria que suspendêssemos os avanços das tropas russas. Mas seria melhor terminar a guerra aceitando os compromissos discutidos em Anchorage', disse.
Parceiro iraniano
Questionado sobre o Irã, Putin expressou esperança de um acordo final para garantir uma paz duradoura. Ele minimizou as alegações de que Moscou teria fornecido imagens de satélite ao Irã, afirmando que Teerã poderia usar imagens comerciais amplamente disponíveis. 'Quanto às armas, o Irã não nos pediu e nós não fornecemos nenhuma arma', disse, acrescentando que a Rússia está pronta para receber urânio enriquecido para armazenamento como parte de um possível acordo de paz e que Moscou tem mantido contato com o Irã, os EUA e Israel.



