Guerra contra o Irã esgota estoques de mísseis dos EUA e gera alerta
Guerra contra o Irã esgota estoques de mísseis dos EUA

A guerra dos Estados Unidos contra o Irã, que completou cinco meses, já custou ao governo americano US$ 37,5 bilhões (cerca de R$ 208 bilhões), a maior parte destinada à compra de munições. Autoridades do Pentágono reconhecem que os estoques de armamentos críticos foram reduzidos a níveis preocupantes, enquanto o país enfrenta múltiplas frentes geopolíticas.

O custo da guerra

Segundo a Casa Branca, as forças americanas atingiram mais de 13 mil alvos no Irã desde o início da Operação Epic Fury, em janeiro de 2026. Os sistemas de defesa aérea dos EUA interceptaram mais de 1,7 mil drones e mísseis balísticos iranianos. O conflito foi suspenso em 8 de abril com um cessar-fogo frágil, permitindo negociações.

Em entrevista ao Wall Street Journal, o presidente Donald Trump negou escassez: "Temos muito mais munições do que qualquer outro país do mundo, e muito mais do que precisamos". No entanto, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, pediu ao Senado US$ 87 bilhões (R$ 482 bilhões) extras para suprir "carências críticas".

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Estoques críticos

Dados do centro de pesquisa CSIS, de Washington, mostram que os estoques de mísseis foram severamente reduzidos. Mais de mil mísseis Tomahawk foram disparados, e a reposição deve levar até 2031. Cada unidade custa US$ 2,6 milhões. O sistema Patriot disparou até 1.430 mísseis de um total pré-guerra de 2.330. Já o Thaad, mais moderno, teve entre 190 e 290 lançamentos de um estoque de cerca de 360.

"Depende do tipo de munição, mas o prazo mínimo é de um a cinco anos para fabricar um único míssil", afirmou Mark Cancian, coronel reformado do Corpo de Fuzileiros Navais e assessor do CSIS. "Não há nada que possa acelerar esse processo."

Olhares para Taiwan

A redução ocorre em meio à chamada "janela de Davidson", período em que aumentam os riscos de uma invasão chinesa a Taiwan. A China investiu em mísseis hipersônicos e drones, enquanto os EUA precisam manter capacidade de dissuasão. Jacob Olidort, ex-integrante da CIA, argumenta que o uso das armas em combate envia um sinal: "Os êxitos dos EUA ao enfraquecer o Irã com ataques de precisão mostram determinação a outros adversários".

A questão ucraniana

O conflito também afeta a Ucrânia, que depende de sistemas Patriot para conter ataques russos. O presidente Volodymyr Zelensky disse à BBC: "Nós também estamos ficando sem recursos". Trump ofereceu à Ucrânia a produção local de mísseis Patriot, seguindo acordos semelhantes com Alemanha e Japão.

Elaine McCusker, ex-funcionária do Pentágono, destacou a necessidade de sistemas mais baratos: "Não faz sentido disparar interceptadores de US$ 6 milhões contra drones de mil dólares".

Consequências futuras

Apesar das preocupações, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que "as Forças Armadas dos EUA dispõem de munições mais do que suficientes para cumprir todos os objetivos estratégicos do presidente". O Irã, por outro lado, sofreu perdas muito maiores e tem capacidade limitada de reposição. Jason Brodsky, da United Against Nuclear Iran, alertou: "O regime iraniano está ficando sem tempo".

O principal trunfo iraniano — a ameaça ao estreito de Ormuz — está se enfraquecendo, mas os EUA continuam priorizando o Oriente Médio, enquanto o Indo-Pacífico permanece uma preocupação futura.

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