Os Estados Unidos voltaram a bombardear alvos no Irã nesta quarta-feira (8), intensificando uma disputa que vai além dos ataques militares: o controle do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais do mundo para o transporte de petróleo e gás. As Forças Armadas dos EUA afirmaram que a operação visa reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a liberdade de navegação na região, em resposta a ataques contra navios comerciais registrados na terça-feira (7).
Retaliação e ameaças de Trump
O presidente Donald Trump declarou que a ofensiva é uma retaliação direta aos ataques contra embarcações comerciais e ameaçou ampliar as ações militares caso novas embarcações sejam alvo de ações iranianas. O Irã não assumiu a autoria dos ataques desta semana, mas já foi acusado anteriormente de atacar navios que cruzavam a região.
Segundo o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, um navio-tanque que transportava gás natural liquefeito foi atingido e pegou fogo próximo à costa de Omã. Outras duas embarcações sofreram danos, mas conseguiram prosseguir viagem. Ninguém ficou ferido. As três embarcações navegavam por uma rota alternativa ao corredor controlado pelo Irã, próxima ao litoral de Omã.
O Estreito de Ormuz: geografia e poder
O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava por essa área. Embora o Irã não seja proprietário da via, controla a costa norte do estreito, além de diversas ilhas e posições militares, o que permite monitorar praticamente todo o tráfego de embarcações.
Nos últimos anos, o Irã transformou essa posição geográfica em um instrumento de pressão política e militar. Após o início da guerra, o país fechou o estreito para obter vantagem nas negociações. Atualmente, o governo iraniano defende o reconhecimento internacional de sua soberania sobre a rota marítima.
Estratégia iraniana e impactos globais
O Irã não precisa bloquear completamente o Estreito de Ormuz para causar impactos. Uma simples ameaça de ataque já aumenta os custos de transporte, eleva o preço dos seguros marítimos e pressiona o mercado internacional de energia. A Guarda Revolucionária mantém uma combinação de lanchas rápidas de ataque, baterias de mísseis costeiros, minas marítimas e drones capazes de atingir petroleiros e outras embarcações comerciais que descumprirem ordens na região.
Os ataques registrados nesta semana exemplificam essa estratégia. A televisão estatal do Irã afirmou que um dos navios atacados havia desrespeitado orientações das autoridades iranianas, mas o governo não assumiu oficialmente a autoria.
Disputa sobre pedágio e regras de passagem
Além das questões nucleares, a crise atual envolve um desacordo sobre quem pode estabelecer as regras de passagem pelo Estreito de Ormuz. Em junho, um acordo temporário entre EUA e Irã permitiu que navios atravessassem o estreito sem pagar taxas por 60 dias. No entanto, o Irã continua insistindo que cabe ao país controlar as embarcações e quer cobrar um pedágio pela travessia.
Segundo a imprensa americana, autoridades iranianas chegaram a discutir a cobrança de até US$ 2 milhões por embarcação. A medida é criticada por especialistas marítimos, que a classificam como ilegal e inviável.



