O Estreito de Ormuz voltou ao centro das atenções após uma nova escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã. Nesta quarta-feira (8), os EUA lançaram novos ataques contra alvos iranianos em resposta a ofensivas de Teerã contra navios comerciais que cruzavam a região. Em reação, o Irã ameaçou fechar a principal rota marítima para o transporte de petróleo no mundo novamente, elevando a tensão no Oriente Médio e reacendendo temores de impactos no abastecimento global de petróleo.
O Estreito de Ormuz: artéria do petróleo mundial
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico (ao norte) com o Golfo de Omã (ao sul), e deságua no Mar da Arábia. Na sua parte mais estreita, o estreito tem 33 km de largura, com canais de navegação de apenas 3 km em cada direção. Cerca de um quinto de todo o consumo mundial de petróleo passa pelo estreito. Entre o início de 2022 e maio de 2025, aproximadamente 17,8 a 20,8 milhões de barris por dia de petróleo bruto, condensado ou combustível fluíram diariamente pelo local, segundo dados da plataforma de monitoramento marítimo Vortexa.
Impacto econômico e rotas alternativas
Membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque exportam a maior parte do seu petróleo através do estreito, principalmente para a Ásia. O Catar, um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, envia quase toda sua produção através do estreito. Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA, havia cerca de 2,6 milhões de barris por dia de capacidade ociosa nos oleodutos existentes desses países, que poderiam ser usados para contornar Ormuz (dados de junho de 2024). Os Emirados Árabes e a Arábia Saudita buscam rotas alternativas para não depender do estreito.
Reações e ameaças
O anúncio do acordo de paz, aliás, derrubou os preços do petróleo na abertura do pregão de segunda-feira. Após nova ameaça de Trump, o chanceler do Irã disse que o país vai responder com ações firmes. Trump afirmou que os ataques ao Irã são retaliação e fez nova ameaça: 'Se acontecer de novo, será muito pior'. A Agência da ONU condenou a retomada da guerra e informou que 6 mil marinheiros estão presos no Golfo Pérsico.



