Quem Vive Ali? Visita a castelo medieval francês habitado por família
Quem Vive Ali? Conheça moradores de castelo medieval na França

A série "Quem Vive Ali?", do Fantástico, foi ao norte da França para mostrar a vida dentro do Castelo de Bienassis, uma fortaleza cuja construção começou no século 12. O imóvel pertence à família Huguet e é usado como residência. A casa de pedra, cercada por muralhas e torres, foi erguida em uma época de invasões e disputas por terras na Europa, quando famílias nobres construíam fortalezas para proteção.

Uma casa com séculos de história

Bienassis passou por diferentes proprietários ao longo dos séculos. Há quase 150 anos, permanece com a mesma família. Nathalie Huguet, uma das proprietárias, mostrou ao repórter Murilo Salviano parte da história do castelo. Ela herdou a propriedade da madrinha, que não teve filhos. Antes, Nathalie e o marido viviam na região de Paris.

Na parede está o retrato do trisavô dela, que era navegador. Depois de anos no mar, ele se estabeleceu na propriedade com a família e reuniu objetos de diferentes partes do mundo, como um vaso de Nápoles, na Itália, e uma mesa de Pequim, na China. Outro ambiente marcante é a antiga sala da guarda, que séculos atrás funcionava como ponto de encontro.

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Segundo Nathalie, era ali que cavaleiros e moradores se reuniam para conversar, negociar terras e resolver assuntos importantes. Pelas paredes permanecem lembranças de outros períodos históricos. Animais empalhados recordam uma época em que a caça fazia parte da rotina. Do lado de fora, uma inscrição homenageia franceses executados durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial. Com a indenização paga após o conflito, os avós de Nathalie compraram um fogão a lenha que, na época, era considerado grande novidade.

Mais de mil metros quadrados para cuidar

As dimensões da residência impressionam. A parte privativa da família ocupa mais de mil metros quadrados, com pé-direito de cerca de seis metros, paredes muito espessas e cômodos naturalmente mais frios e escuros. A tecnologia também enfrenta limitações: o sinal de internet praticamente não funciona dentro do castelo e depende de conexão via satélite.

Hoje, Nathalie e o marido, Pierre-Yves, vivem ali com dois dos quatro filhos e os cachorros. Um dos cachorros chama a atenção pelo nome: Rio, escolhido em homenagem ao Rio de Janeiro por iniciativa do filho Jean, apaixonado pela América Latina.

Entre cavalos, jardins e tranquilidade

Para os filhos do casal, crescer em um castelo significa ter uma rotina diferente da maioria. Jean diz que a melhor parte é viver cercado pela natureza. "É muito bom viver no campo, com os cachorros. Tem bastante espaço e a gente pode ter muitos animais." Maylis valoriza a tranquilidade: "É bem calmo. A gente respira um ar puro. Andar a cavalo depois do trabalho e não pensar em mais nada é o que eu mais gosto daqui."

Mas morar em um castelo também tem desvantagens. Segundo ela, a distância da cidade dificulta o convívio com os amigos. Na infância, muitas pessoas sequer acreditavam quando ela dizia onde morava.

Nem tudo é conto de fadas

Apesar da paisagem que lembra filmes e histórias infantis, a rotina da família está longe do luxo normalmente associado aos castelos. Todos ajudam na manutenção: limpar grandes salões, cuidar dos estábulos, alimentar os animais e manter os jardins. Nathalie resume: "É um ecossistema. Você vive e também trabalha aqui." Jean diz que a experiência ensinou habilidades incomuns entre jovens da sua idade: "Muitos amigos que moram na cidade não sabem cuidar de animais ou usar uma motosserra. A gente aprende tudo isso aqui."

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