Onda de calor na Europa causa mortes e alerta; termômetros passam de 40°C
Onda de calor na Europa: mortes e alerta com 40°C

A Europa enfrenta sua segunda grande onda de calor em dois meses, com temperaturas superiores a 40°C em diversos países. A França, um dos mais afetados, colocou 54 departamentos em alerta vermelho e registrou 44,3°C no sudoeste. Ao menos 40 mortes por afogamento foram confirmadas desde 18 de junho, principalmente de jovens, segundo o governo francês.

Brasileiros na Europa relatam rotina de adaptação

A estudante Lívia Corrêa, de 27 anos, natural de Florianópolis, mora em Paris há três anos e afirma nunca ter visto calor tão intenso. "Está cerca de 12 graus acima da média e isso não é normal nem para essa época do ano, nem para o próprio verão. O pico costuma acontecer em julho e agosto, mas o calor chegou muito antes", conta. Ela destaca a dificuldade de encontrar ventiladores: "Uma amiga foi em oito lojas diferentes procurando um ventilador e não encontrou nenhum. Está tudo esgotado".

Nas ruas de Paris, menos pessoas circulam durante o dia, e os parques perderam movimento nas horas mais quentes. Em contrapartida, os canais da cidade estão lotados de pessoas buscando se refrescar, apesar dos "banhos proibidos". "Está lotado todos os dias. As pessoas fazem praticamente uma praia ali. É impossível controlar", comenta Lívia.

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Reorganização e riscos à saúde

Moradores estão se reorganizando para fugir do calor. Lívia sai mais cedo de casa para evitar os horários mais quentes e passou a trabalhar presencialmente sempre que pode, pois muitos prédios antigos de Paris têm isolamento térmico precário e quase ninguém tem ar-condicionado em casa — apenas cerca de 20% dos lares europeus possuem o aparelho. "Eu tenho ido mais ao escritório porque lá tem ar-condicionado. Também escolho linhas de metrô que são climatizadas, porque nem todas são. Quando chego em casa, tento simplesmente não sair mais", afirma.

"Tem gente que simplesmente não consegue permanecer dentro de casa. Uma amiga minha mora no último andar de um prédio antigo e o apartamento virou um forno. Hoje, ela vai trazer o ventilador para dormir aqui em casa porque lá está impossível", complementa.

O estudante catarinense Lucas Ortiz, de 24 anos, também mora na região de Paris e percebe o aumento constante de ambulâncias. "Meus amigos e eu estamos ouvindo sirenes de ambulâncias passando o dia inteiro. Paris já é uma cidade barulhenta, mas com as ocorrências de saúde, isso só aumentou", disse. "Não é uma questão só de idosos ou pessoas vulneráveis. Jovens que não têm nenhum problema de saúde também estão sendo afetados", afirmou.

Impacto no trabalho e medidas oficiais

Lucas trabalha em um restaurante e relata que as adaptações no ambiente de trabalho foram necessárias. "A gente tem que aumentar os momentos de hidratação. Os próprios gerentes estão incentivando a equipe a beber mais água para não correr risco de passar mal."

A ministra dos Esportes da França, Marina Ferrari, alertou que os franceses têm pulado em canais e rios para se refrescar, pedindo que evitem nadar em áreas não autorizadas ou perigosas. Dentro de casa, a rotina também mudou: "As pessoas estão deixando cortinas e venezianas fechadas nos horários de pico, todas as janelas fechadas, para tentar manter o ambiente mais fresco", relata Lucas.

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