O juiz Carlos Alberto Garcete determinou que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri pelo assassinato do servidor público Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O crime ocorreu em 24 de março deste ano, na mansão que pertenceu a Bernal e havia sido comprada por Mazzini, localizada no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande.
Qualificação do crime e possíveis agravantes
Bernal responderá por homicídio triplamente qualificado: motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A pena pode ser aumentada devido à idade de Mazzini, que tinha mais de 60 anos. Além disso, o ex-prefeito também será processado por porte ilegal de arma de fogo e invasão de domicílio. A data do júri popular ainda não foi definida, e Bernal permanece preso no presídio militar.
Versão da defesa e provas contundentes
A defesa de Bernal pediu sua absolvição, alegando legítima defesa. No entanto, o juiz considerou essa versão “controversa” diante das provas reunidas. O crime foi registrado por câmeras de segurança da residência e testemunhado por um chaveiro que acompanhava a vítima. Segundo a decisão judicial, as imagens mostram que os disparos foram efetuados imediatamente, sem qualquer discussão prévia ou reação por parte de Mazzini. A defesa tenta reverter a prisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Detalhes do caso
Bernal atirou contra Mazzini após, segundo ele, a vítima invadir sua casa. No entanto, Mazzini havia arrematado o imóvel em leilão judicial e estava em fase final de regularização em cartório. Em depoimento, Bernal afirmou que foi alertado pelo sistema de segurança sobre a entrada de três homens e que agiu em legítima defesa. Ele também disse que acionou o Samu após os disparos e se apresentou na delegacia. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a vítima foi atingida por dois disparos, sofreu três perfurações e chegou a ser reanimada, mas não resistiu. O corpo foi encontrado na varanda da casa, que estava desabitada. Na caminhonete de Mazzini, havia uma notificação extrajudicial de desocupação do imóvel.



