Trump renova tarifas, mas balanço econômico é negativo, apontam estudos
Tarifas de Trump: balanço negativo apesar de nova rodada

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a intensificar sua guerra tarifária. A três meses das eleições legislativas, a Casa Branca anunciou uma nova rodada de tarifas, mantendo uma política que, após mais de um ano, não conseguiu entregar a reconstrução econômica prometida. A estratégia sobrevive, no entanto, porque ampliou o poder presidencial para tributar, ameaçar e conceder exceções.

O 'Dia da Libertação' e a promessa não cumprida

Em abril de 2025, o chamado "Dia da Libertação" foi vendido como o início de uma "era de ouro". As tarifas trariam de volta fábricas e empregos, reduziriam o déficit comercial, atrairiam investimento estrangeiro e fortaleceriam o poder de compra. Avaliado pelas próprias metas de Trump, o resultado é amplamente negativo. A manufatura não experimentou a renascença anunciada: o emprego industrial caiu, a produção praticamente estagnou e o investimento em instalações perdeu impulso. O déficit de bens, descontadas distorções como a antecipação de importações, encerrou 2025 no mesmo patamar do início.

Crescimento veio de outros setores

A economia americana continuou crescendo, mas o motor foi a inteligência artificial, o consumo e setores poupados pelo governo. A política tarifária só se tornou menos destrutiva porque Washington recuou diante de seus próprios custos. A ausência de um desastre não é prova de sucesso — apenas demonstra que grande parte da dose anunciada nunca foi aplicada. Caiu por terra também a fantasia de que os estrangeiros pagariam a conta. Estudos estimam que empresas e consumidores americanos suportaram entre 77% e 96% do custo das tarifas.

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Impacto sobre insumos e cadeias produtivas

Muitas tarifas incidem sobre insumos, componentes e bens de capital usados por fabricantes dos EUA. Proteger um produtor de aço, por exemplo, tende a elevar os custos das indústrias que compram aço. O ganho é concentrado e visível, enquanto as perdas se espalham por preços mais altos, margens menores, investimentos adiados e empregos que nunca chegam a existir. As exceções criaram um mercado paralelo de favores e chantagens. Escritórios de advocacia, consultorias e lobistas disputam acesso à Casa Branca e às agências que decidem quem paga, quem é poupado e quem é protegido. Para quem precisa decidir onde construir uma fábrica ou de quem comprar componentes, a incerteza funciona como um imposto adicional.

Ganhos de curto prazo versus prosperidade

Trump obtém ganhos reais dessa engrenagem: a arrecadação aumenta, governos estrangeiros fazem concessões, empresas anunciam fábricas e algumas importações chinesas caem. Isso não significa que os EUA ficaram mais ricos ou mais fortes. A receita sai em grande medida do bolso americano. O investimento feito para escapar de uma barreira tende a deslocar capital para usos menos eficientes. A queda do déficit com a China pode reaparecer como aumento das importações do Vietnã, do México ou de Taiwan. Uma concessão arrancada de um aliado pode custar mais, no longo prazo, do que rende ao presidente na fotografia.

Poder versus produtividade

A dissonância decisiva está entre exercer poder e criar prosperidade. Trump mede "vitória" pela capacidade de impor custos. Uma economia mede sucesso por produtividade, inovação, salários e investimento sustentável. Sob esse padrão, as tarifas frustraram a propaganda. Seu legado, porém, pode ser duradouro. A Suprema Corte derrubou o uso discricionário da Lei de Emergência Econômica, mas o governo manipula investigações comerciais para fabricar pretextos. O fundamento muda; a intenção permanece. O Congresso tolera a usurpação de seus poderes, enquanto o Executivo transforma tarifas em instrumento de extorsão em temas díspares como imigração, drogas e política industrial. Presidentes futuros herdarão essa máquina.

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Comparação com a China

A China já opera numa lógica de subsídios, crédito dirigido, proteção e coerção. Os EUA construíram sua vantagem com mercados abertos, segurança jurídica, inovação descentralizada, alianças e capacidade de atrair capital e talentos. Ao escolher o terreno preferido de Pequim, Washington debilita seus próprios atributos e incentiva parceiros a firmar acordos entre si. Trump pode legar aos sucessores mais poder sobre a economia. Será uma herança cara: mais privilégios, mais instabilidade, menos disciplina institucional e um país que tenta superar a China mimetizando justamente as práticas contra as quais oferecia uma alternativa melhor.