O que está por trás dos ataques de Trump ao PIX?
O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, intensificou críticas ao sistema de pagamentos brasileiro PIX, gerando um debate sobre sua origem e impacto. Na segunda-feira, uma investigação comercial iniciada em julho de 2025 foi concluída, apontando o PIX como prejudicial a empresas americanas. O documento alega que o Brasil favorece injustamente seu sistema nacional, em detrimento de concorrentes dos EUA.
Reações no Brasil: Lula e Bolsonaro em disputa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu durante evento em Goiás, exibindo um cartaz com a frase “O Pix é do Brasil”. Ele criticou Trump por anunciar aumento de taxação de 25% sobre produtos brasileiros, baseado no que chamou de mentira. Lula sugeriu que Trump adotasse o PIX nos EUA. Já o senador Flávio Bolsonaro, em Minas Gerais, afirmou que o PIX foi criado no governo de seu pai, Jair Bolsonaro, e que não está ameaçado.
Como o PIX foi criado?
O PIX é um sistema de pagamento instantâneo desenvolvido por técnicos do Banco Central. Lançado em novembro de 2020, durante o governo Bolsonaro, suas bases foram estabelecidas ainda em 2018, no governo Michel Temer. Um grupo de trabalho foi criado em maio de 2018 para desenvolver um ecossistema de pagamentos instantâneos. A infraestrutura tecnológica começou a ser desenvolvida em outubro de 2019, e a marca PIX foi lançada em fevereiro de 2020. O sistema rapidamente se popularizou: mais de 170 milhões de brasileiros já usaram o PIX, movimentando trilhões de reais.
Impacto e reconhecimento internacional
O PIX impulsionou a inovação de bancos digitais e fintechs brasileiras, tornando o país referência mundial. O economista Paul Krugman elogiou o sistema por seus baixos custos e inclusão financeira. No entanto, especialistas apontam que o sucesso do PIX incomodou big techs americanas, gerando uma disputa tecnológica.
O que os EUA alegam?
A investigação dos EUA, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, acusa o Banco Central de conflito de interesses ao atuar como regulador e operador do PIX. Alega que o BC exige que instituições financeiras ofereçam o PIX sem taxas e o destaquem em seus aplicativos, prejudicando concorrentes americanos. Como resultado, os EUA propõem tarifas de 25% a produtos brasileiros, sujeitas a negociação até 15 de julho.
Defesa do PIX
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) defendeu o sistema, afirmando que as críticas americanas baseiam-se em informações incompletas. A entidade destaca que o PIX é uma infraestrutura de pagamento que promove competição e inclusão financeira, reduzindo custos e ampliando o acesso digital.



