Payroll forte nos EUA derruba bolsas, eleva juros e fortalece dólar
O mercado financeiro global foi surpreendido nesta sexta-feira pelos dados de emprego dos Estados Unidos, que vieram muito acima do esperado. O chamado payroll mostrou a criação de 272 mil vagas de trabalho em maio, ante expectativa de 185 mil. O resultado forte reacendeu temores de que o Federal Reserve (Fed) mantenha os juros elevados por mais tempo, provocando uma forte aversão ao risco nos mercados.
O dólar disparou frente ao real, aproximando-se de R$ 5,15. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou mais de 2%, pressionado pela alta dos juros futuros e pela fuga de capital estrangeiro. Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street também operam em forte queda, com o S&P 500 e o Nasdaq registrando perdas superiores a 1%.
Trump critica reação do mercado
O ex-presidente dos EUA e candidato à Casa Branca, Donald Trump, criticou a reação negativa do mercado ao payroll. Em sua rede social, Trump afirmou que o crescimento do emprego não significa inflação e que os dados são positivos para a economia. A declaração, no entanto, não foi suficiente para conter o movimento de aversão ao risco.
Analistas apontam que o mercado passou a precificar uma alta de juros pelo Fed já em 2026, ante projeções anteriores de corte ainda este ano. Isso elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, com a taxa da T-note de 10 anos subindo para perto de 4,5%.
Impacto no Brasil
No Brasil, a alta do dólar e dos juros futuros pressionou ativos de risco. O Ibovespa recuou aos 120 mil pontos, com destaque para a queda das ações de empresas expostas ao câmbio e ao mercado doméstico. Por outro lado, a Embraer subiu mais de 6% após receber novo pedido de aeronaves da Azorra, mostrando resiliência em meio ao cenário adverso.
O mercado de criptomoedas também sentiu o impacto, com o Bitcoin mergulhando abaixo de US$ 60 mil, nível de setembro de 2024. A aversão ao risco global levou investidores a buscarem proteção em ativos considerados seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro americano.
Perspectivas
Economistas avaliam que os dados fortes de emprego nos EUA podem adiar qualquer movimento de flexibilização monetária pelo Fed, o que deve manter o dólar valorizado e os juros elevados globalmente. Para o Brasil, o cenário externo adverso aumenta a pressão sobre o câmbio e a inflação, além de reduzir o espaço para cortes na Selic.
O mercado agora aguarda os próximos indicadores econômicos americanos, como o CPI de maio, para calibrar as expectativas sobre a política monetária do Fed. Enquanto isso, a volatilidade deve continuar alta nos mercados globais.



