Uma densa fumaça com forte odor de incêndios florestais escureceu os céus dos Estados Unidos na quinta-feira, 16, afetando desde a região dos Grandes Lagos até partes da Costa Leste. A visibilidade foi drasticamente reduzida, e autoridades alertaram que respirar o ar externo poderia representar risco à saúde.
Cidades com pior qualidade do ar no mundo
De acordo com o monitor da empresa IQAir, na manhã de sexta-feira, 17, Detroit, Chicago, Washington DC e Nova York estavam entre as quatro cidades com o ar mais poluído do planeta. A fumaça tem origem em incêndios que queimam principalmente no Canadá, mas também no norte de Minnesota.
O meteorologista Steven Freitag, do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA em Detroit, explicou que um sistema persistente de alta pressão atmosférica reteve a fumaça próxima ao solo. “De fato, ela chegou com força aqui, e os níveis estão realmente extremos”, afirmou, observando que a visibilidade em algumas áreas caiu para cerca de 800 metros.
Orientações das autoridades
Autoridades de várias cidades recomendaram que moradores permanecessem em ambientes fechados ou usassem máscaras ao sair. A qualidade do ar atingiu níveis considerados insalubres a perigosos, o que significa que a exposição pode ser prejudicial para qualquer pessoa, independentemente de condições de saúde preexistentes.
O chef Omar Mitchell, de 50 anos, usava máscara ao caminhar até seu restaurante em Detroit. “É assustador”, disse ele, olhando para o céu. “Você não sabe necessariamente quais podem ser os efeitos colaterais. Eles podem aparecer dias ou meses depois.”
Riscos à saúde
Partículas microscópicas presentes na fumaça podem se alojar profundamente nos pulmões e entrar na corrente sanguínea, levando a problemas cardíacos e pulmonares, além de contribuir para outros problemas crônicos de saúde. Um estudo publicado neste ano indicou que a exposição prolongada a essas partículas contribuiu para uma média de 24,1 mil mortes por ano nos 48 estados continentais dos EUA.
Incêndios em Minnesota e situação no Canadá
Em Minnesota, equipes de bombeiros florestais vasculharam na quinta-feira, 16, uma área remota de natureza selvagem em busca de pessoas que ainda pudessem estar no local, após incêndios florestais levarem ao fechamento da região de Boundary Waters, na fronteira entre EUA e Canadá. Na terça-feira, 14, entre 6 mil e 10 mil pessoas estavam na área, mas funcionários da Floresta Nacional Superior estimaram que 90% delas haviam sido localizadas no dia seguinte, segundo Karen Harrison, porta-voz de agências estaduais e federais.
Harrison afirmou que a fumaça está dificultando voos de helicópteros e que os incêndios continuam se espalhando. “Os incêndios continuarão presentes na paisagem até o outono, e alguns focos permanecerão ativos até a chegada da cobertura de neve”, disse.
Na quarta-feira, a Força Aérea Real Canadense retirou 11 adolescentes de Minnesota e quatro funcionários de uma área atingida por incêndios em um parque provincial de Ontário, a cerca de 282 quilômetros ao norte da fronteira com Minnesota. Autoridades de Ontário solicitaram ajuda adicional ao governo federal, sobretudo apoio aéreo para evacuar comunidades remotas. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, garantiu: “Estamos preparados e daremos todo o apoio adicional necessário.”
Perspectivas para os próximos meses
O meteorologista Jake Petr, do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA, disse que, mesmo que ventos do noroeste limpem o céu como esperado no fim da semana, a fumaça pode continuar retornando até que os incêndios sejam controlados. Isso pode levar meses, até que neve no Canadá e no norte de Minnesota, segundo autoridades.
Em Saint Paul, Minnesota, o céu apresentava um “brilho amarelo”, segundo Brent Williams, chefe do Departamento de Solo, Água e Clima da Universidade de Minnesota. Ele afirmou que a região “pode enfrentar semanas ou meses de fumaça contínua e focos de incêndio que reaparecem de tempos em tempos, à medida que os ventos mudam de direção”.
Os incêndios florestais no Canadá devastaram 1,9 milhão de hectares neste ano, menos do que em 2023 e 2025, conforme as estatísticas oficiais mais recentes.



