Um documento divulgado nesta segunda-feira (2) pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) conclui que práticas brasileiras em seis áreas distintas são consideradas “irracionais ou discriminatórias” e impõem restrições ao comércio americano. A avaliação abre caminho para possíveis sanções com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Decisão final depende de Trump
A decisão final, no entanto, ainda depende do presidente Donald Trump. De acordo com a legislação americana, a Casa Branca tem até o dia 15 de julho para decidir se implementará integralmente as recomendações do USTR, se realizará alterações na proposta ou se buscará uma solução negociada com o Brasil.
Caso a decisão seja confirmada por Trump, o Brasil passará a integrar a lista de países investigados ou sancionados pelo governo dos Estados Unidos por práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. A lista reúne adversários geopolíticos de Washington, como China, Rússia e Venezuela, mas também inclui aliados históricos, como Canadá, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Austrália e União Europeia.
Países da América do Sul na lista
Na América do Sul, além do Brasil, aparecem Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Equador, Guiana, Uruguai e Venezuela. A investigação global tem como objetivo impedir que empresas e trabalhadores dos Estados Unidos concorram com produtos cuja produção viole acordos comerciais que proíbem práticas injustas ou discriminatórias.
Processo de investigação
A abertura da investigação não significa que os países serão automaticamente punidos. O processo prevê audiências públicas, apresentação de documentos e manifestações dos governos envolvidos antes de qualquer decisão. Caso o USTR conclua que um país favorece ou não combate adequadamente o trabalho forçado ou práticas prejudiciais ao comércio internacional, o governo americano poderá adotar medidas comerciais, incluindo tarifas adicionais sobre produtos importados. O procedimento costuma levar cerca de 12 meses entre a abertura e a conclusão.
Brasil já foi alvo no passado
Esta não é a primeira vez que o Brasil enfrenta uma apuração com base na Seção 301. Nas décadas de 1980 e 1990, os Estados Unidos utilizaram o mesmo instrumento para questionar políticas brasileiras nos setores de informática e de medicamentos, em disputas relacionadas à proteção de mercado e propriedade intelectual.
Mais recentemente, o mecanismo voltou aos holofotes após o USTR concluir outra investigação contra o Brasil. Nesse caso, o relatório apontou preocupações envolvendo comércio digital, Pix, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol e desmatamento, servindo de base para a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Lista completa de países investigados ou sancionados
Além do Brasil, outros países integram a lista de estados sancionados ou investigados pelos EUA. Veja a relação completa:
- Argélia
- Angola
- Argentina
- Austrália
- Bahamas
- Bahrein
- Bangladesh
- Brasil
- Camboja
- Canadá
- Chile
- China
- Colômbia
- Costa Rica
- República Dominicana
- Equador
- Egito
- El Salvador
- União Europeia
- Guatemala
- Guiana
- Honduras
- Hong Kong, China
- Índia
- Indonésia
- Iraque
- Israel
- Japão
- Jordânia
- Cazaquistão
- Kuwait
- Líbia
- Malásia
- México
- Marrocos
- Nova Zelândia
- Nicarágua
- Nigéria
- Noruega
- Omã
- Paquistão
- Peru
- Filipinas
- Catar
- Rússia
- Arábia Saudita
- Singapura
- África do Sul
- Coreia do Sul
- Sri Lanka
- Suíça
- Taiwan
- Tailândia
- Trinidad e Tobago
- Turquia
- Emirados Árabes Unidos
- Reino Unido
- Uruguai
- Venezuela
- Vietnã



