Pressão de empresas dos EUA pode livrar Brasil de tarifas de Trump, diz Azevêdo
Pressão de empresas dos EUA pode livrar Brasil de tarifas

O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou que a chance de o Brasil escapar das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos depende mais da pressão exercida por empresas americanas do que das negociações diretas entre os dois governos. A declaração foi feita em entrevista exclusiva ao Valor.

Pressão empresarial como fator decisivo

Segundo Azevêdo, a investigação da Seção 301, que fundamenta as tarifas adicionais, não tem como alvo específico o Brasil, mas reflete uma política industrial dos EUA. “A decisão sobre tarifas vai depender mais da pressão de empresas dos EUA do que da negociação entre governos”, destacou. Ele explica que as companhias americanas que dependem de insumos brasileiros ou que têm operações no Brasil podem atuar para ampliar exceções ou reduzir o impacto das tarifas.

Estratégia brasileira

Enquanto o governo brasileiro busca canais diplomáticos, as empresas brasileiras tentam conquistar o apoio de entidades setoriais nos Estados Unidos para obter exceções. Azevêdo ressalta que a medida não visa punir o Brasil, mas sim proteger a indústria americana. “O Brasil não é o foco, mas pode ser afetado colateralmente”, afirmou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Contexto da Seção 301

A investigação da Seção 301 foi aberta pelo governo Trump para analisar práticas comerciais consideradas desleais. Embora o Brasil não seja o principal alvo, as tarifas podem atingir setores como siderurgia, alumínio e produtos agrícolas. Azevêdo, que atualmente articula nos EUA como consultor, acredita que o lobby empresarial americano será crucial para definir o alcance das sanções.

“As empresas americanas têm interesse em manter a cadeia de suprimentos competitiva. Se as tarifas prejudicarem seus negócios, elas vão pressionar o governo a recuar ou criar exceções”, explicou. O ex-diretor da OMC também destacou que o Brasil deve reforçar sua atuação em fóruns multilaterais e bilaterais, mas sem esperar resultados rápidos.

Impactos econômicos

Especialistas estimam que as tarifas podem reduzir as exportações brasileiras aos EUA em até 5%, afetando setores como o de aço e o de café. No entanto, Azevêdo avalia que o impacto pode ser menor se as empresas americanas conseguirem garantir exceções. “O Brasil precisa mostrar que as tarifas prejudicam também os consumidores e as empresas americanas”, concluiu.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar