Políticas pró-natalidade na Hungria fracassam e geram dívidas para casais
Políticas pró-natalidade na Hungria fracassam e geram dívidas

Barbara Elek e seu marido Levi, em Debrecen, leste da Hungria, aguardavam ansiosamente o resultado de sua terceira fertilização in vitro. Se não estivesse grávida, enfrentariam a devolução de empréstimos e subsídios habitacionais, com juros punitivos. O casal contraiu 10 milhões de florins húngaros (cerca de R$ 170 mil) sob a promessa de ter dois filhos, mas a gravidez não ocorreu. "Se não tivermos sucesso, ficarei devastada e poderemos perder tudo financeiramente", disse Barbara à BBC.

O contexto das políticas pró-natalidade

Em 2010, o primeiro-ministro Viktor Orbán lançou ambiciosas políticas para aumentar a natalidade, oferecendo isenções fiscais, empréstimos sem juros e subsídios habitacionais para casais heterossexuais casados que prometessem ter filhos. A taxa de fertilidade na Hungria era de 1,25 em 2010, subindo para 1,59 em 2020, mas caiu para 1,31 em 2025, muito abaixo do nível de reposição de 2,1. Orbán afirmou: "No Ocidente, a resposta é a imigração. Nós precisamos de crianças húngaras."

Impacto nos casais e críticas

Cerca de um em cada cinco casais que tomaram empréstimos há cinco anos não teve filhos, segundo o Banco Nacional da Hungria. O casal Elek pode ter que pagar entre 1,5 e 3,5 milhões de florins (R$ 25,5 mil a R$ 59,5 mil) em juros. "Do ponto de vista dos objetivos, é claramente um fracasso", avalia Tomas Sobotka, do Instituto de Demografia de Viena. A pesquisadora Eva Fodor critica: "A Hungria fortaleceu a ideia de que as mulheres são as principais cuidadoras da família, tornando os papéis de gênero mais rígidos."

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Lições internacionais e culturais

A Coreia do Sul gastou mais de US$ 288 bilhões (R$ 1,47 trilhão) em incentivos, mas a taxa de natalidade caiu para 0,8 em 2025. Já Israel, com forte ênfase cultural na natalidade, mantém taxa acima da reposição sem gastos excessivos. Para Fodor, o dinheiro húngaro deveria ter sido investido em instituições sociais e igualdade de gênero. O novo governo de Péter Magyar revisa as políticas, enquanto casais como os Elek enfrentam o desespero: o e-mail confirmou que o embrião não sobreviveu.

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