Petróleo despenca com acordo EUA-Irã para reabrir Estreito de Ormuz
Petróleo despenca com acordo EUA-Irã para reabrir Estreito de Ormuz

LONDRES — Os preços do petróleo despencaram para a mínima de três meses nesta segunda-feira, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã anunciarem um acordo inicial para encerrar a guerra e retomar o tráfego pelo Estreito de Ormuz. Os contratos futuros do petróleo Brent caíram US$ 4,39, ou 5%, para US$ 82,94 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) dos EUA foi cotado a US$ 80,26, queda de US$ 4,62, ou 5,4%. Ambos os contratos atingiram os menores níveis desde 10 de março, após já terem despencado mais de 3% na sexta-feira.

Acordo mediado pelo Paquistão

Os EUA e o Irã assinarão um memorando de entendimento na Suíça nesta sexta-feira, conforme anunciou o primeiro-ministro do Paquistão, país que atuou como mediador. Trump declarou no domingo que o Estreito de Ormuz seria aberto “sem custos” e que o bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos também seria encerrado. A agência de notícias semioficial iraniana Mehr informou que a minuta do acordo prevê a reabertura do estreito em 30 dias, de acordo com os termos estabelecidos pelo Irã.

Impacto no fornecimento global

“Levará tempo para que o petróleo se aproxime do nível pré-crise de 20 milhões de barris por dia navegando por esse ponto estratégico. As estimativas para a retomada completa do tráfego variam de semanas a meses”, disse Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates. “Os investidores financeiros estão, portanto, simplesmente tomando emprestado o fornecimento físico futuro, o que explica a atual queda nos preços do petróleo. A lenta retomada poderá resultar em um déficit de oferta ao longo de 2026.”

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O mundo perdeu milhões de barris de petróleo e gás natural desde que a guerra fechou o Estreito de Ormuz, ponto crucial para um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito, por mais de três meses. Os investidores também observam com cautela a rapidez com que os produtores do Oriente Médio poderão retomar a produção e as exportações após os danos causados pela guerra, e se mais navios entrarão na região.

“Os danos já causados não podem ser revertidos da noite para o dia. Isso inclui não apenas os danos físicos à infraestrutura petrolífera, mas também a pressão econômica sofrida pelas economias importadoras de petróleo, que enfrentam custos elevados de energia há meses”, afirmou Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova.

Negociações abrangentes e cessar-fogo

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que um acordo mais abrangente será negociado durante um período de cessar-fogo de 60 dias. No entanto, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que as forças armadas permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por tempo indeterminado, para proteger a fronteira e os assentamentos israelenses. O destino do programa nuclear iraniano, outra questão espinhosa, também será abordado nessas negociações posteriores, disseram fontes à Reuters.

David Jorbenaze, líder global do mercado de petróleo da ICIS, prevê uma “recuperação parcial do tráfego em poucas semanas após um acordo credível e uma normalização comercial significativa num prazo de quatro a seis meses”. “O volume total de tráfego pré-conflito é, realisticamente, algo para 2027, e somente se o acordo se mantiver sem incidentes e a produção se recuperar rapidamente.”

Sanções e perspectivas

Os países do E4, que incluem Reino Unido, França, Alemanha e Itália, afirmaram no domingo que estão preparados para suspender as sanções contra o Irã em resposta às medidas tomadas em relação ao seu programa nuclear.

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