Brasileiros mais otimistas com economia em maio, aponta Ipsos
Otimismo econômico dos brasileiros cresce em maio, diz Ipsos

A percepção dos brasileiros sobre a economia do País apresentou melhora em maio, impulsionada por baixo desemprego e aumento na renda, mesmo sem mudanças significativas nas principais preocupações da população. É o que mostra a nova edição do levantamento What Worries the World (O que preocupa o mundo, em tradução livre), do Ipsos.

O porcentual de entrevistados que avaliam positivamente a situação econômica do País alcançou 35%, quatro pontos acima do registrado em abril. Os números sugerem um ambiente menos pessimista entre os brasileiros, ainda que os principais fatores de preocupação permaneçam praticamente inalterados. Globalmente, apenas 39% acreditam que seus países estão na direção correta.

Crime e violência lideram preocupações

Por outro lado, a pesquisa mostra que o crime e a violência que assolam o País são as principais preocupações dos brasileiros, citados por 48% dos entrevistados. Houve uma alta de um ponto porcentual em relação a abril e de sete pontos na comparação com o mesmo período do ano passado. Na sequência da agenda de problemas da população, os brasileiros estão mais aflitos com questões relacionadas à corrupção (36%), pobreza e desigualdade social (36%), saúde (35%) e impostos (29%).

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Avaliação sobre a direção do País melhora

Apesar do cenário, a avaliação sobre a direção do País apresentou melhora expressiva. A parcela de brasileiros que acredita que o Brasil está no “caminho certo” chegou a 39%, avanço de sete pontos porcentuais em relação ao mês de abril e de dois pontos na comparação anual. De acordo com o Ipsos, o resultado representa uma das maiores variações recentes registradas pelo estudo.

A alta de sete pontos porcentuais na parcela de brasileiros que acredita que o País está na direção certa representa uma recuperação do otimismo perdido ao longo dos primeiros meses de 2026, avalia Diego Pagura, CEO da Ipsos no Brasil. Ele observa que o indicador fechou dezembro de 2025 em 41%, patamar tecnicamente semelhante ao registrado em maio deste ano. “O que vimos ao longo deste ano foi uma queda pronunciada no rumo certo até o patamar de 32% de abril, mostrando um declínio no otimismo, e coincidentemente com o maior pico de preocupação histórica com a corrupção em meio ao ápice do caso Banco Master”, diz. Pagura acrescenta que não há necessariamente uma contradição entre a melhora na avaliação sobre o rumo do País e a permanência de problemas como violência, corrupção e pobreza entre as maiores preocupações. “O crime e a violência são preocupações número um em toda a América Latina e número dois no mundo, então não é uma preocupação exclusiva do Brasil”, afirma.

Melhora nos índices de economia

Para o professor Renan Pieri, economista da FGV EAESP, a melhora nas condições econômicas está associada sobretudo ao atual contexto do mercado de trabalho, que alcançou 5,8% no trimestre encerrado em abril, segundo dados do IBGE. O professor diz ainda que a renda real do trabalho cresceu acima da inflação. Juntos, os fatores tendem a aumentar o consumo da população. No entanto, Pieri ressalta que esse avanço parte de um patamar historicamente baixo de confiança. Os brasileiros estão menos pessimistas, mas não significa que tenham se tornado otimistas no longo prazo, avalia. Isso porque os altos juros e o aumento do endividamento das famílias, que atingiu 49,4% da renda acumulada em 12 meses, segundo dados do Banco Central, aliados às restrições de crédito das classes mais baixas, por exemplo, continuam pressionando a percepção da população. Diego Pagura, por sua vez, afirma que os consumidores seguem enfrentando dificuldades para preservar seu padrão de vida diante da alta de preços.

“As pessoas estão fazendo o impossível para manter qualidade de vida frente aos custos que seguem avançando. O consumidor é otimista, mas está, ao mesmo tempo, mais crítico e buscando em cada decisão o melhor custo-benefício”, resume.

Ainda assim, Pieri observa que alguns setores de serviços permanecem aquecidos. “O momento de melhora parece estar chegando em algo estável, não há uma crise chegando na porta”, ressalta. Pieri estima que o início do 2º semestre também pode trazer uma redução sazonal nos preços dos alimentos.

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Cenário internacional

O movimento traz um contraste com o cenário internacional, em que a inflação continua liderando as preocupações globais, citada por 32% dos entrevistados. No caso de crime e violência no exterior, o porcentual é de 31%. Os outros maiores problemas globais, segundo as pessoas consultadas, são desemprego (29%) e pobreza e desigualdade social (28%). Nos Estados Unidos, a inflação segue como principal preocupação e voltou a ganhar força em meio às tensões comerciais e tarifas aplicadas em 2025 a outros países por Donald Trump.

Já na Argentina, as inquietações estão voltadas ao desemprego, pobreza e inflação, que vêm subindo gradualmente nos últimos meses. Dados oficiais indicam que o PIB de fevereiro caiu 2,6% em relação a janeiro, a maior queda desde 2023.