Os contratos futuros de minério de ferro registraram alta nesta terça-feira, impulsionados por uma combinação de fatores geopolíticos e logísticos. A escalada das tensões no Estreito de Ormuz elevou os custos de frete, enquanto a confirmação de uma greve nas operações da BHP em Port Hedland intensificou as preocupações com a oferta. Paralelamente, a forte demanda por reposição de estoques por parte das siderúrgicas chinesas sustentou os preços.
Greve na BHP ameaça embarques
Centenas de trabalhadores nas operações de minério de ferro da BHP em Port Hedland devem entrar em greve na quinta-feira, após o fracasso nas negociações entre o sindicato e a empresa. Um porta-voz do Sindicato Combinado dos Portos da BHP confirmou que não houve acordo. Um analista, que falou sob condição de anonimato, estimou que “essas greves reduzam os embarques em até dois milhões de toneladas, um nível que não reverte os fundamentos do mercado, mas que vai impulsionar o otimismo dos investidores”.
Estreito de Ormuz e petróleo pressionam fretes
O fechamento do Estreito de Ormuz também encareceu os custos de transporte e insumos de maneira generalizada, elevando os custos do minério de ferro transportado por via marítima, segundo um trader baseado em Cingapura. Os preços do petróleo subiram quase 3% na terça-feira, atingindo o maior nível em quatro semanas, com os EUA restabelecendo o bloqueio naval ao Irã e os dois países intensificando ataques na região, aumentando a incerteza sobre os fluxos de energia.
Demanda chinesa sustenta preços
As importações chinesas de minério de ferro aumentaram 15% em relação ao mês anterior em junho, atingindo uma máxima de seis meses de 112,69 milhões de toneladas, segundo dados da alfândega chinesa divulgados na terça-feira. Analistas da ANZ Research afirmaram em nota que um aumento nos embarques da Austrália e do Brasil coincidiu com a forte demanda de reposição de estoques por parte das siderúrgicas.
Desempenho dos contratos futuros
O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou o pregão diurno com alta de 1,81%, a 760,5 iuanes (US$ 112,17) por tonelada, maior nível desde 17 de junho. A referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Cingapura subiu 1,25%, para US$ 99,7 por tonelada, maior valor desde 2 de julho.



