O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o Brasil está prestes a mudar a história do mercado global de terras raras, um conjunto de minerais essenciais para a produção de tecnologias como baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas e dispositivos eletrônicos. Em discurso durante evento no Palácio do Planalto, Lula disse que o país possui uma das maiores reservas do mundo e que a exploração desses recursos pode colocar o Brasil em posição de destaque, rivalizando com a China, que atualmente domina a produção. O presidente também sugeriu que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deveria se preocupar com o avanço brasileiro nesse setor.
Reservas e potencial brasileiro
O Brasil detém aproximadamente 20% das reservas mundiais de terras raras, segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB). A maior parte está localizada em regiões como o Vale do Ribeira, em São Paulo, e em áreas de Minas Gerais e Goiás. Atualmente, a China responde por cerca de 60% da produção global e 85% do processamento, o que lhe confere enorme influência sobre a cadeia de suprimentos. Lula destacou que o Brasil precisa desenvolver tecnologia nacional para processar esses minerais, evitando a dependência de outros países.
“Nós temos a segunda maior reserva de terras raras do mundo. Se a gente conseguir desenvolver a tecnologia para extrair e processar, o Brasil vai mudar a história desse mercado. O Trump pode ficar preocupado, porque os Estados Unidos dependem da China e agora vão ter que nos olhar com outros olhos”, declarou o presidente.
Impacto geopolítico e econômico
A fala de Lula ocorre em um contexto de crescente tensão geopolítica entre Estados Unidos e China, com as terras raras no centro da disputa tecnológica. Os EUA têm buscado diversificar suas fontes de suprimento para reduzir a dependência chinesa. O Brasil, com suas vastas reservas, surge como uma alternativa viável. Especialistas apontam que, se o país conseguir estabelecer uma cadeia produtiva completa, poderá atrair investimentos bilionários e gerar milhares de empregos.
O governo brasileiro já estuda parcerias com empresas internacionais e universidades para viabilizar a exploração sustentável. O Ministério de Minas e Energia anunciou que pretende lançar um plano nacional para o setor ainda este ano, com foco em inovação e proteção ambiental.
Desafios e críticas
Apesar do otimismo, especialistas alertam para os desafios. A exploração de terras raras é complexa e pode causar impactos ambientais significativos se não for feita com rigor. Organizações ambientalistas criticam a falta de transparência nos projetos e pedem que o governo priorize a sustentabilidade. Além disso, o Brasil carece de infraestrutura e mão de obra especializada para o processamento, o que exigirá investimentos de longo prazo.
“O potencial é enorme, mas o Brasil precisa superar barreiras tecnológicas e regulatórias. Não adianta ter a reserva se não conseguirmos transformá-la em produto final com valor agregado”, afirmou o engenheiro de minas Carlos Alberto de Oliveira, da Universidade de São Paulo.
Reações internacionais
Nos Estados Unidos, a declaração de Lula foi recebida com cautela. Analistas políticos apontam que Trump, que já demonstrou interesse em reduzir a dependência chinesa, pode ver o Brasil como um parceiro estratégico, mas também como um concorrente. A China, por sua vez, monitora de perto os movimentos brasileiros, já que qualquer alteração no mercado pode afetar seus interesses.
O governo brasileiro planeja apresentar um projeto de lei para regulamentar a exploração de terras raras, com incentivos fiscais para empresas que investirem em tecnologia nacional. Lula finalizou o discurso afirmando que “o Brasil não pode mais ser apenas exportador de commodities. Chegou a hora de agregar valor e gerar riqueza para o nosso povo”.



