Os preços ao consumidor no Brasil perderam força em junho, com alta de apenas 0,16%, ante 0,58% em maio, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (10). O resultado ficou bem abaixo da mediana das projeções de 27 consultorias e instituições financeiras reunidas pelo Valor Data, que estimavam alta de 0,31%.
Alimentos em queda puxam índice para baixo
A principal contribuição para a desaceleração veio do grupo Alimentação e bebidas, que registrou queda de 0,25%, a primeira desde novembro do ano passado e a maior desde setembro. A alimentação no domicílio, que reúne os produtos consumidos dentro de casa e responde pela maior parte do grupo, caiu 0,39%, após alta de 1,65% em maio. Entre os itens com queda estão o café moído (-3,72%), as frutas (-1,58%) e as carnes (-0,64%). Já as altas foram lideradas pelo feijão-carioca (8,31%) e pela batata-inglesa (3,57%).
Energia elétrica pressiona, mas com menos força
Do lado das pressões, o grupo Habitação subiu 0,63%, puxado pela conta de luz. A energia elétrica residencial desacelerou de 3,67% em maio para 1,53% em junho, refletindo a manutenção da bandeira tarifária amarela, além de reajustes aplicados por distribuidoras em Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte e da retomada de um reajuste nas tarifas de uma concessionária do Rio de Janeiro.
Cenário futuro misto: alívio na energia, risco nos alimentos
Para os próximos meses, o comportamento da inflação deve refletir forças opostas. Em agosto, o preço da energia deve ter alívio com a entrada do bônus de Itaipu nas contas de luz. Por outro lado, os alimentos podem voltar a pressionar o índice caso se confirme a formação do El Niño no segundo semestre. Meteorologistas do Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), esperam que o fenômeno seja um dos mais fortes em mais de 75 anos.
IPCA acumulado ainda acima da meta do BC
Com o resultado de junho, o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,64%, abaixo dos 4,72% dos 12 meses imediatamente anteriores. Embora indique perda de fôlego da inflação, o índice segue acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 3%, com tolerância até 4,5%, o que ainda limita o espaço para uma postura mais branda da política monetária.



