O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) apresentou queda de 1,13% em julho, influenciado principalmente pela redução do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). O resultado representa um alívio para a inflação, mas a tendência pode ser revertida por fatores como a alta recente do petróleo e a iminência do fenômeno El Niño.
Queda puxada pelo IPA e preços dos bovinos
O recuo do IGP-10 foi puxado pela queda de 1,13% no IPA, que responde por 60% do índice geral. Dentre os itens que mais contribuíram para a retração está o preço dos bovinos, que caiu significativamente no período. A demanda interna moderada também ajudou a conter os preços no atacado.
Petróleo em alta ameaça trajetória
Apesar do alívio momentâneo, o cenário ainda é de incerteza. O preço do petróleo voltou a subir nas últimas semanas, impulsionado por tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. A commodity teve queda no início de julho, o que ajudou a compor o resultado do IGP-10, mas a recuperação recente já preocupa analistas. Caso a alta se mantenha, os custos de produção e transporte tendem a subir, pressionando novamente os índices de preços.
El Niño pode afetar alimentos
Outro fator de risco é a possível ocorrência do El Niño, fenômeno climático que pode impactar a produção agrícola e elevar os preços dos alimentos. A combinação de choques de oferta e demanda pode dificultar o controle da inflação nos próximos meses. Segundo especialistas, o efeito do El Niño sobre as safras brasileiras ainda é incerto, mas já acende alerta no mercado.
A coluna apurou que, mesmo com a queda do IGP-10 em julho, a trajetória de desaceleração da inflação pode ser interrompida se os riscos se materializarem. O monitoramento dos preços do petróleo e das condições climáticas será crucial para as próximas leituras do índice.



