O iene registrou forte alta nesta sexta-feira, impulsionado pelo anúncio do governo japonês de que planeja revisar a estratégia de investimento do Government Pension Investment Fund (GPIF), o maior fundo de pensão do mundo. A moeda japonesa subiu mais de 1% frente ao dólar, atingindo o maior nível em três semanas.
Detalhes do plano japonês
O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão informou que pretende alterar a alocação de ativos do GPIF, que gerencia cerca de ¥200 trilhões (aproximadamente US$ 1,4 trilhão). A proposta sugere reduzir a exposição a títulos do governo japonês (JGBs) e aumentar os investimentos em ações domésticas e internacionais. Segundo o comunicado oficial, a revisão visa melhorar os retornos de longo prazo e garantir a sustentabilidade do sistema de pensões.
Atualmente, o GPIF tem cerca de 50% de seus ativos alocados em títulos domésticos, 25% em ações domésticas, 15% em ações internacionais e 10% em títulos internacionais. O novo plano prevê uma redução gradual dos JGBs para 35% e aumento das ações domésticas para 30% e internacionais para 20%.
Reação do mercado
O anúncio gerou expectativa de que o GPIF venda uma parcela significativa de seus títulos do governo, o que pressionaria os rendimentos dos JGBs para cima e, consequentemente, fortaleceria o iene. "A notícia pegou o mercado de surpresa e provocou um movimento de aversão ao risco, com investidores buscando a segurança do iene", disse Tohru Sasaki, estrategista de câmbio do JPMorgan Chase em Tóquio.
O dólar caiu para ¥107,50 no fim da tarde em Tóquio, ante ¥108,80 no fechamento anterior. O euro também recuou, cotado a ¥121,30, contra ¥122,50.
Impacto global
A valorização do iene pode ter implicações para os mercados globais. Um iene mais forte tende a reduzir a competitividade das exportações japonesas, mas também pode diminuir o custo de importações de energia e matérias-primas. Além disso, a mudança na alocação do GPIF pode influenciar outros fundos de pensão ao redor do mundo a reavaliar suas estratégias.
O governo japonês planeja realizar consultas públicas sobre a proposta antes de implementá-la, o que deve ocorrer no próximo ano fiscal. "É uma mudança significativa, mas ainda há um longo processo até a adoção final", alertou Masahiro Ichikawa, analista sênior da Sumitomo Mitsui DS Asset Management.



