O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou nesta quarta-feira (15) que o governo brasileiro irá examinar a base das tarifas impostas pelos Estados Unidos antes de tomar qualquer medida de retaliação. A declaração ocorre no prazo final para a conclusão de uma investigação americana que pode resultar em um novo tarifaço de 25% contra uma série de produtos brasileiros.
Prazo final para investigação dos EUA
Nesta quarta-feira (15), encerra-se o período estipulado para que os Estados Unidos concluam a investigação que pode levar à imposição de tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros. O processo, aberto pelo governo americano, tem gerado apreensão no setor exportador nacional, que já enfrenta desafios com a reforma tributária em andamento.
Segundo Vieira, o Brasil adotará uma postura cautelosa: “Temos que esperar o que vai acontecer para examinar e divulgar as medidas que teremos que tomar”, afirmou o ministro, durante evento em Brasília. Ele destacou que a análise será técnica e baseada nos fundamentos das tarifas propostas pelos EUA.
Impactos no comércio bilateral
O possível tarifaço de 25% atinge setores estratégicos do agronegócio e da indústria brasileira. Dados da balança comercial mostram que as exportações para os EUA somaram US$ 30 bilhões em 2024, sendo que cerca de 40% desses produtos estariam sujeitos às novas tarifas. A medida, se confirmada, representaria um duro golpe para a competitividade brasileira no mercado americano.
O Ministério da Economia, em conjunto com o Itamaraty, já prepara estudos de impacto e possíveis contramedidas, que podem incluir a elevação de tarifas sobre produtos americanos ou o acionamento de mecanismos de solução de controvérsias na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Reforma tributária e cenário econômico
Paralelamente, a reforma tributária brasileira avança e já começa a afetar as empresas. Especialistas recomendam que as companhias se antecipem às mudanças, revendo estruturas de custos e planejamento fiscal. O governo, por sua vez, busca equilibrar as contas públicas sem comprometer o crescimento econômico, em meio a pressões externas como a guerra comercial com os EUA.
Vieira ressaltou que o Brasil está aberto ao diálogo e que a decisão americana será analisada com cuidado: “Não vamos agir por impulso. Vamos examinar a base das tarifas e reagir de forma proporcional e legal”, concluiu o chanceler.



