O fim do cessar-fogo entre Israel e Hamas, anunciado nesta terça-feira, mergulhou a economia global em uma nova onda de incertezas. O preço do petróleo disparou 4% nos mercados internacionais, refletindo o temor de que o conflito se expanda para toda a região do Oriente Médio, responsável por cerca de um terço da produção mundial de petróleo.
Impacto imediato nos mercados financeiros
As bolsas de valores na Ásia e na Europa abriram em baixa, com o índice Stoxx 600 caindo 1,2% e o Nikkei recuando 1,8%. O ouro, considerado um ativo seguro, subiu 1,5%, atingindo o maior patamar em seis meses. "O mercado está reagindo ao risco de uma interrupção no fornecimento de petróleo e à possibilidade de um conflito regional mais amplo", afirmou analista do Bank of America.
Consequências para o comércio global
A retomada das hostilidades também ameaça as rotas marítimas no Mar Vermelho, onde ataques de grupos houthi já vinham perturbando o tráfego de navios. O Canal de Suez, por onde passa cerca de 12% do comércio global, pode sofrer novas restrições. Empresas de logística já reportam aumento de 20% nos seguros de carga para a região.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a escalada do conflito pode reduzir o crescimento global em até 0,5% neste ano. "Estamos monitorando a situação de perto. Uma crise prolongada teria efeitos severos sobre a inflação e as cadeias de suprimento", declarou a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva.
Reação dos governos e bancos centrais
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, convocou uma reunião de emergência com líderes do G7 para discutir a situação. O Federal Reserve (Fed) sinalizou que pode adotar medidas para estabilizar os mercados, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) já anunciou a injeção de liquidez no sistema financeiro.
No Brasil, a alta do petróleo deve impactar os preços dos combustíveis, pressionando a inflação. A Petrobras informou que ainda não há previsão de reajuste, mas o mercado projeta aumento de até 10% na gasolina nas próximas semanas.
Perspectivas para investidores
Especialistas recomendam cautela. "O cenário é de alta volatilidade. Investidores devem buscar ativos de refúgio, como títulos do Tesouro americano e ouro", orienta estrategista do Credit Suisse. A incerteza política no Oriente Médio deve manter os mercados sob pressão nos próximos dias.



