O preço do petróleo registrou alta de 5,2% nesta quarta-feira, impulsionado pelo fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, renovando as tensões no Oriente Médio. O movimento elevou os preços internacionais da commodity e gerou impactos imediatos nos mercados financeiros globais, com destaque para o Brasil, onde o governo Lula já avalia adiar a retirada gradual dos subsídios aos combustíveis.
Petróleo dispara com fim da trégua
O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, fechou em alta de 5,2%, cotado a US$ 78,50, após o anúncio do colapso do cessar-fogo mediado por potências internacionais. O acordo, que vigorava desde maio, foi rompido após acusações mútuas de violações. Analistas apontam que a região do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, voltou a ser foco de preocupação.
Segundo o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, “a renovação das hostilidades no Oriente Médio gera um prêmio de risco significativo sobre o petróleo, que deve se manter volátil nas próximas semanas”. A alta beneficiou petroleiras como a ExxonMobil, cujas ações subiram 3,8% na Bolsa de Nova York.
Impacto no Brasil: governo avalia adiar subsídios
No Brasil, a alta do petróleo pressiona os preços dos combustíveis e reacende o debate sobre os subsídios federais. O governo Lula vinha planejando retirar gradualmente os subsídios à gasolina e ao diesel a partir de agosto, mas a nova onda de volatilidade pode forçar um adiamento. De acordo com fontes do Ministério da Fazenda, a equipe econômica já avalia o impacto fiscal e estuda medidas compensatórias para evitar um choque nos preços ao consumidor.
“O governo está monitorando a situação de perto. Se a alta do petróleo se sustentar, será necessário repensar o cronograma de desoneração”, afirmou o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, em entrevista à Reuters. A retirada dos subsídios é vista como essencial para o ajuste fiscal, mas o momento de instabilidade global dificulta a implementação.
Mercado financeiro reage com aversão ao risco
O mercado financeiro brasileiro refletiu a incerteza. O Ibovespa fechou em queda de 1,2%, aos 128.500 pontos, pressionado por ações de companhias aéreas e de consumo, sensíveis ao preço dos combustíveis. Já os juros futuros subiram, com o contrato para janeiro de 2027 passando de 12,3% para 12,6% ao ano, indicando expectativa de inflação mais alta.
A Petrobras, por sua vez, não anunciou reajuste imediato nos preços dos combustíveis, mas analistas esperam que a política de paridade internacional (PPI) volte a ser aplicada caso a cotação do petróleo se mantenha elevada. A estatal acumula defasagem de cerca de 8% nos preços da gasolina em relação ao mercado internacional, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
Cenário internacional e perspectivas
O fim do cessar-fogo entre EUA e Irã ocorre em meio a negociações nucleares estagnadas e aumento de ataques a navios comerciais no Golfo Pérsico. O governo americano já anunciou o envio de navios de guerra para a região, elevando ainda mais a tensão. Especialistas do setor energético projetam que o petróleo pode oscilar entre US$ 75 e US$ 85 o barril nas próximas semanas, dependendo de desdobramentos militares e diplomáticos.
Para o Brasil, o cenário impõe um dilema: controlar a inflação e manter o crescimento econômico sem comprometer a meta fiscal. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já sinalizou que o governo pode utilizar receitas extras do petróleo para compensar a manutenção dos subsídios, mas a medida enfrenta resistência dentro da equipe econômica.



