EUA impõem tarifa de 12,5% ao Brasil por trabalho forçado
EUA tarifam Brasil em 12,5% por trabalho forçado

A partir desta quarta-feira (23), os Estados Unidos passam a aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de que o Brasil não combate adequadamente o trabalho forçado em seus setores produtivos. A medida, anunciada pelo governo do presidente Donald Trump, insere-se em uma política protecionista mais ampla que visa reduzir déficits comerciais e reindustrializar a economia americana.

Contexto da nova tarifa

Esta não é a primeira vez que o Brasil é alvo de tarifas norte-americanas. Em 2025, os EUA já haviam imposto taxas sobre aço e alumínio brasileiros, e agora a nova sobretaxa atinge uma gama mais ampla de produtos. A decisão baseia-se em relatórios do Departamento de Trabalho dos EUA que apontam a persistência de trabalho forçado em cadeias produtivas brasileiras, especialmente nos setores de carne, café e mineração.

Reação do governo brasileiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontrou com Trump no último domingo durante a Cúpula da Asean em Kuala Lumpur, manifestou descontentamento com a medida. Em nota oficial, o Itamaraty afirmou que “a imposição unilateral de tarifas viola o espírito de cooperação bilateral e pode prejudicar as relações comerciais entre os dois países”. O governo brasileiro estuda recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a tarifa.

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Impactos econômicos

Segundo especialistas, a tarifa de 12,5% deve encarecer produtos brasileiros no mercado americano, reduzindo a competitividade das exportações nacionais. Em 2025, o Brasil exportou US$ 42 bilhões em produtos para os EUA, e setores como carnes (US$ 8 bilhões) e café (US$ 5 bilhões) serão os mais afetados. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) estima que a medida pode reduzir em até 15% as vendas desses itens.

Justificativa dos EUA

O governo Trump alega que a tarifa é uma ferramenta para pressionar o Brasil a adotar medidas mais rigorosas contra o trabalho forçado. “Os Estados Unidos não podem permitir que produtos fabricados com mão de obra forçada entrem em nosso mercado”, declarou o secretário de Comércio, Howard Lutnick. A administração americana também vincula a tarifa à necessidade de reequilibrar a balança comercial, que registrou déficit de US$ 12 bilhões com o Brasil em 2025.

Reações no Congresso e setor produtivo

Parlamentares da oposição no Brasil criticaram a medida. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que “essa tarifa é um ataque ao agronegócio brasileiro e reflete a postura protecionista de Trump”. Já a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pediu que o governo negocie com os EUA para evitar uma escalada comercial. Empresários do setor exportador temem que a tarifa possa desencadear retaliações e prejudicar ainda mais o comércio bilateral.

Possíveis desdobramentos

Analistas apontam que a medida pode levar o Brasil a buscar acordos com outros parceiros comerciais, como a União Europeia e a China, para diversificar suas exportações. Além disso, o governo Lula sinalizou que pode recorrer à OMC e iniciar um processo de consultas formais com os EUA. A expectativa é que as negociações se intensifiquem nos próximos meses, especialmente com a visita de uma missão comercial brasileira a Washington prevista para agosto.

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