A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã representa uma ameaça significativa ao superávit global de petróleo projetado para 2027, segundo alerta da Agência Internacional de Energia (AIE). O relatório mensal da entidade, divulgado nesta quinta-feira, indica que o mercado petrolífero pode enfrentar um déficit caso as sanções americanas contra o Irã se intensifiquem ou haja interrupção no fornecimento iraniano.
Projeções de superávit em risco
A AIE estima que, sem os riscos geopolíticos, o mercado de petróleo teria um superávit de cerca de 1,5 milhão de barris por dia em 2027, impulsionado pelo aumento da produção de países não membros da Opep, como Estados Unidos, Brasil e Guiana. No entanto, a agência ressalta que o cenário pode mudar drasticamente se o Irã, que responde por aproximadamente 3% da produção global, for alvo de sanções mais duras ou de um conflito direto.
Impacto nos preços e na oferta
“A situação no Oriente Médio continua volátil, e qualquer interrupção no fornecimento iraniano poderia eliminar o superávit esperado e levar a um aperto no mercado”, afirmou o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, durante a apresentação do relatório. Ele destacou que os estoques globais de petróleo estão em níveis confortáveis no curto prazo, mas a incerteza geopolítica já está pressionando os preços para cima. O barril do Brent, referência internacional, opera acima dos US$ 85, acumulando alta de 12% no ano.
Resposta da Opep+ e perspectivas
A Opep+, liderada pela Arábia Saudita e Rússia, tem capacidade ociosa de produção estimada em 5 milhões de barris por dia, o que poderia compensar parte de uma eventual falta de oferta iraniana. Contudo, a AIE adverte que a utilização dessa capacidade pode não ser suficiente para evitar um déficit, especialmente se outros produtores também enfrentarem problemas. A agência revisou para baixo sua previsão de crescimento da demanda global de petróleo para 2027, de 1,4 milhão para 1,2 milhão de barris por dia, citando desaceleração econômica na China e na Europa.
Conclusão
O alerta da AIE reforça a fragilidade do equilíbrio entre oferta e demanda de petróleo, que depende não apenas de fatores econômicos, mas também da estabilidade geopolítica. Para os consumidores, a perspectiva é de preços elevados e volatilidade nos próximos meses, enquanto governos e empresas buscam alternativas para mitigar riscos.



