As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam a quarta-feira pré-feriado com altas firmes, superando 30 pontos-base em alguns vencimentos, em um dia marcado por mal-estar no mercado devido às projeções de inflação no Brasil, à ameaça norte-americana de novas tarifas sobre produtos brasileiros e aos ataques entre EUA e Irã no Oriente Médio.
Movimento das taxas
Com investidores adotando posições mais defensivas antes do feriado de Corpus Christi, a taxa do DI para janeiro de 2028 encerrou em 14,355%, alta de 29 pontos-base ante o ajuste anterior de 14,068%. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 atingiu 14,43%, com elevação de 30 pontos-base em relação aos 14,127% da sessão anterior.
Dados da indústria
No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a produção industrial brasileira cresceu 0,7% em abril ante março e 2,7% na comparação com abril de 2025, superando as expectativas de economistas ouvidos pela Reuters, que previam altas de 0,4% e 1,7%, respectivamente. Este foi o quarto mês consecutivo de ganhos. Os dados reforçaram a percepção de que a atividade econômica segue aquecida, pressionando a inflação e reduzindo o espaço para cortes de juros.
Revisões de projeções
Desde a última sexta-feira, com o resultado robusto do PIB do primeiro trimestre, instituições financeiras têm elevado suas projeções para a inflação e a Selic, atualmente em 14,50% ao ano, em meio a pressões nos preços de combustíveis devido à guerra no Oriente Médio. Após Itaú Unibanco e C6 Bank revisarem suas expectativas, a XP elevou a projeção de inflação para 2026 de 5,3% para 5,5% e para 2027 de 4,0% para 4,2%. A XP também passou a prever apenas mais dois cortes da Selic, para 14,00%, contra três cortes para 13,75% anteriormente. O BTG revisou a Selic para o fim de 2026 de 13,00% para 14,25% e para 2027 de 10,50% para 12,50%.
Possível interrupção nos cortes
Um operador ouvido pela Reuters destacou que, com as revisões recentes, alguns agentes já falam em interrupção no ciclo de cortes da Selic ainda este mês, acrescentando que “daqui a pouco começa o papo de alta de juros”.
Tensões comerciais com os EUA
O mal-estar foi ampliado pelas ameaças tarifárias norte-americanas. Após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) defender uma tarifa de 25% sobre várias exportações brasileiras, o órgão propôs uma tarifa adicional de 10% ou 12,5% sobre diversos países, incluindo o Brasil, por falhas no combate ao trabalho forçado. No caso brasileiro, a tarifa seria de 12,5%. Embora as tarifas precisem de aprovação, a percepção geral foi negativa, poucos dias depois de os EUA designarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Reação de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o anúncio de tarifas, após lançar na véspera uma ofensiva para atribuir à família Bolsonaro a culpa pela deterioração das relações bilaterais. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é visto como principal adversário de Lula em 2026. Os anúncios sobre as organizações criminosas e as tarifas ocorreram após um encontro recente de Flávio com Trump em Washington.
Cenário externo
O noticiário internacional também contribuiu para a alta dos DIs, em sintonia com os Treasuries e o petróleo, em meio a novas ações militares dos EUA e do Irã no Oriente Médio. Os EUA dispararam um míssil contra um navio-tanque que seguia para o Irã, enquanto forças iranianas lançaram mísseis contra o Kuwait e o Bahrein, sem atingir alvos, conforme fontes norte-americanas. Às 16h37, o rendimento do Treasury de dez anos subia 4 pontos-base, a 4,491%.
Devido ao feriado de Corpus Christi na quinta-feira, o mercado brasileiro voltará a funcionar apenas na sexta-feira.



