Déficit de R$ 56,1 bi em maio eleva dívida pública a 81,1% do PIB
Déficit de R$ 56,1 bi em maio eleva dívida pública a 81,1% do PIB

O setor público brasileiro registrou um déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio, um aumento de 66,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Esse resultado ampliou o endividamento do país, com a dívida pública bruta atingindo 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior patamar desde maio de 2021, período ainda marcado pelos efeitos da pandemia de Covid-19. Em termos nominais, a dívida totalizou R$ 10,62 trilhões.

Dívida pública supera nível pré-pandemia

O percentual de 81,1% do PIB representa o maior nível em cinco anos, superando os 80,8% registrados em abril deste ano. A trajetória ascendente da dívida é impulsionada por sucessivos déficits primários e pelo aumento dos juros. O Banco Central destacou que, em maio, o déficit primário foi puxado pelo resultado negativo de R$ 45,5 bilhões do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central), além de déficits de R$ 6,8 bilhões dos governos regionais e de R$ 3,8 bilhões das empresas estatais.

Impacto nas contas públicas

O crescimento da dívida limita o espaço fiscal para despesas discricionárias do governo, como investimentos em infraestrutura e programas sociais. O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou que "o aumento da dívida reflete a necessidade de ajuste fiscal para garantir a sustentabilidade das contas públicas no médio prazo". Ele acrescentou que "a elevação dos juros e o fraco desempenho da arrecadação contribuíram para o agravamento do déficit".

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Comparação com anos anteriores

Em maio de 2025, o déficit primário havia sido de R$ 33,7 bilhões, o que significa um crescimento de 66,4% em 12 meses. No acumulado de janeiro a maio de 2026, o déficit primário já soma R$ 152,3 bilhões, ante R$ 98,1 bilhões no mesmo período de 2025. A dívida pública bruta, que estava em 79,2% do PIB em maio de 2025, subiu para os atuais 81,1%, um aumento de 1,9 ponto percentual.

Perspectivas para o restante do ano

Analistas do mercado financeiro projetam que a dívida pública pode fechar 2026 em torno de 82% do PIB, caso não haja medidas efetivas de contenção de gastos. O governo federal anunciou recentemente um pacote de corte de despesas, mas a eficácia das medidas ainda é incerta. O Banco Central alerta que o elevado endividamento reduz a capacidade de resposta da política fiscal em momentos de crise e pressiona a taxa de juros, o que pode comprometer o crescimento econômico.

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