A deflação registrada em junho trouxe alívio para os mercados, mas a inflação acumulada ainda exige cautela por parte do Federal Reserve (Fed). No Brasil, a queda de preços pode atrair fluxo estrangeiro para a B3, enquanto o dólar acelerou perdas e caiu abaixo de R$ 5,10.
Deflação acima do esperado no Brasil
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou deflação de 0,08% em junho, surpreendendo o mercado que esperava estabilidade. A queda foi puxada principalmente pelos preços de alimentos e energia. Apesar do alívio momentâneo, a inflação acumulada em 12 meses ainda está em 4,2%, acima da meta do Banco Central.
Impacto nos mercados e no câmbio
O dólar comercial acelerou as perdas e fechou abaixo de R$ 5,10 pela primeira vez em semanas, refletindo a percepção de que o Banco Central pode manter a Selic em patamares elevados por mais tempo. A B3, por sua vez, registrou entrada de capital estrangeiro, com investidores buscando yields atrativos na renda fixa brasileira.
Fed mantém tom cauteloso
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) de junho veio abaixo do esperado, mas o Fed sinalizou que precisa de mais evidências de que a inflação está convergindo para a meta de 2% antes de considerar cortes de juros. Segundo Kevin Hassett, ex-conselheiro econômico da Casa Branca, "a inflação está onde o Fed espera e os preços do petróleo continuarão a cair".
Oportunidades na renda fixa
Com a deflação e a perspectiva de juros altos por mais tempo, o Tesouro Direto viu as taxas recuarem, especialmente nas NTN-Bs (Tesouro IPCA+). O Tesouro realizou um leilão comedido desses títulos, e analistas recomendam reinvestir em papéis com vencimentos mais longos para aproveitar o nível de juros histórico.
Endividamento das famílias estável
O ambiente de crédito melhorou, e o endividamento das famílias ficou estável em junho, segundo dados do Banco Central. A melhora é atribuída à queda da inflação e aos juros ainda elevados, que desestimulam o consumo a prazo. No entanto, especialistas alertam que a recuperação completa do mercado de crédito depende de cortes na Selic.



