O governo brasileiro classificou a ameaça dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros como "protecionista e absurda". Em nota oficial, o Brasil afirmou que continuará negociando com a Casa Branca, mas não descarta recorrer à Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso em 2025, que permite sobretaxas em resposta a medidas consideradas injustas.
Reação do governo Lula
Em reunião ministerial que durou quase cinco horas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil não pode ser tratado como "republiqueta insignificante". Lula afirmou que o governo não recebeu comunicação oficial dos EUA sobre as novas propostas de tarifas e foi pego de surpresa. Ele anunciou que participará da reunião do G7, de 15 a 17 de junho na França, para defender o multilateralismo. "A gente vai continuar fazendo aquilo que nós sabemos fazer. Vamos continuar conversando com todo mundo", disse Lula.
Encontro com Trump no G7
O presidente americano Donald Trump também estará no G7. Embora não haja agenda bilateral marcada, o Planalto considera um encontro inevitável. Lula deve aproveitar a ocasião para discutir tarifas e reforçar parcerias com o líder americano.
Impactos na balança comercial
Dados de maio mostram queda de 14% nas exportações brasileiras para os EUA e de 11% nas importações. Desde o início de 2026, o Brasil registra déficit na relação bilateral. No entanto, considerando o comércio global, o país mantém superávit, impulsionado pelas vendas à China.
Diálogo com representante comercial dos EUA
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encontrou-se em Paris com Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA. Greer manifestou interesse em manter o diálogo, e Vieira concordou. O encontro ocorre em meio ao prazo de 30 dias estabelecido por Lula e Trump para negociar tarifas, que termina neste fim de semana.
Nota oficial do governo brasileiro
O governo brasileiro expressou "profunda discordância" com a conclusão preliminar dos EUA sobre proibições de importação relacionadas a trabalho forçado. A nota afirma que é "um absurdo" associar a competitividade brasileira a insumos obtidos por trabalho forçado, destacando que o Brasil é referência internacional no combate a essa prática, reconhecido pela OIT. O governo se reserva o direito de usar a Lei da Reciprocidade para responder a medidas que considere injustas.
Declarações do ministro do Trabalho
O ministro Luiz Marinho classificou como absurda a acusação de que o Brasil acoberta trabalho forçado. "Não aceitamos exploração nem de brasileiros nem de mão de obra fornecida por outros países", afirmou, lembrando os compromissos internacionais do país desde a década de 1990.



