Governo brasileiro reage a investigação dos EUA e defende soberania
Brasil reage a investigação dos EUA sobre comércio

O Governo brasileiro manifestou formalmente, nesta terça-feira (2), sua indignação com a conclusão preliminar da investigação dos Estados Unidos que apura supostas práticas comerciais desleais. A medida é vista por Brasília como uma tentativa de ingerência interna, motivada por interesses políticos e eleitorais.

Nota oficial do governo

A nota oficial do governo destaca que a investigação teve início em 15 de julho de 2025, sob provocação da família Bolsonaro. O texto cita especificamente uma recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington e acusa "falsos patriotas" de conspirarem contra os interesses nacionais a partir de cargos públicos. Lula associa 'filhos de Bolsonaro' a novo tarifaço proposto pelos EUA.

Ameaça ao PIX e superávit bilionário

Um dos pontos de maior tensão é a menção explícita ao PIX nas recomendações preliminares do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). O governo brasileiro sustenta que não há justificativa para medidas unilaterais contra o sistema de pagamentos ou contra o patrimônio do país. Para contrapor as acusações de práticas desleais, o Brasil apresentou dados de balança comercial:

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  • Superávit dos EUA: Nos últimos 15 anos (2011-2025), os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões com o Brasil.
  • Dados de 2025: Apenas no ano passado, o superávit norte-americano em bens e serviços somou US$ 40,52 bilhões.
  • Tarifas baixas: Cerca de 76% das importações vindas dos EUA entraram no Brasil sem pagar imposto de importação em 2025, com uma alíquota média efetiva de apenas 3,1%.

Impacto comercial e "traidores da pátria"

O governo alerta que as tensões políticas já estão afetando o comércio bilateral. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor valor da série histórica. Segundo o Itamaraty, as tarifas unilaterais impostas pelos americanos têm causado danos à economia nacional e à geração de renda.

O comunicado encerra com um tom duro, pedindo atenção aos "traidores da pátria" e reafirmando o compromisso com a soberania nacional.

Próximos passos: Negociações e Reciprocidade

Apesar do tom crítico, há um canal diplomático aberto. Os presidentes Lula e Trump concordaram, em reunião realizada em 7 de maio em Washington, em manter negociações tarifárias. O objetivo é buscar uma solução que encerre a investigação até o dia 15 de julho, sem a imposição de sanções definitivas.

Caso as negociações fracassem e as recomendações se convertam em tarifas reais, o Brasil afirmou que poderá recorrer aos instrumentos da Lei de Reciprocidade. A legislação, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, permite que o Estado brasileiro adote medidas para enfrentar injustiças comerciais sem amparo nas regras internacionais.

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