Brasil mantém negociações com EUA para reverter tarifas de 25%
Brasil mantém negociações com EUA para reverter tarifas

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira (7) que o Brasil não abandonará as negociações com os Estados Unidos para reverter as tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, mesmo com a proximidade do prazo estipulado pelo governo americano. A declaração foi feita após uma reunião técnica entre a equipe brasileira em Washington e representantes do Escritório de Representação do Comércio dos EUA (USTR).

Diálogo técnico e combate ao crime transnacional

Segundo o ministro, o encontro ocorreu durante um intervalo das audiências da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. “Foi uma conversa bastante proveitosa, de natureza técnica. Nós dividimos as discussões em tópicos e hoje tratamos de um pedido que o presidente Lula tem feito ao governo norte-americano, para que tenhamos uma atuação integrada no combate ao crime transnacional e ao crime organizado. Há um reconhecimento de que é possível avançarmos nesse ponto”, disse Rosa.

Investigação e prazo para tarifas

O USTR concluiu em junho a investigação comercial contra o Brasil e propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com exceções previstas em uma lista específica. A medida foi baseada na Seção 301, que permite sanções contra países considerados prejudiciais ao comércio dos EUA. A investigação começou em 15 de julho de 2025, por ordem do presidente Donald Trump, e o prazo para definição e aplicação das medidas termina em 15 de julho de 2026.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Sem espaço para política partidária

Questionado sobre a atuação do pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, que está nos EUA tentando reverter o tarifaço, Márcio Elias afirmou que o Brasil não misturará política partidária nas negociações. “Não há espaço para discussão de natureza política, eleitoral, egoística ou qualquer outro interesse que não seja o interesse do Brasil, a defesa da soberania e a defesa dos reais interesses do Brasil”, enfatizou.

Setores produtivos engajados

O ministro destacou que representantes de setores afetados pelas tarifas estão nos Estados Unidos e participaram de audiências públicas. “Setores produtivos brasileiros que estão presentes na audiência pública estiveram conosco antes e mesmo hoje eu conversei com alguns que estão lá. Avaliamos isso como muito positivo”, disse.

Etanol e açúcar: negociação cuidadosa

Sobre a possibilidade de concessão ao governo americano no setor do etanol, aventada por Flávio Bolsonaro, o ministro foi enfático: o tema não pode ser tratado nessa negociação. Ele lembrou que o açúcar brasileiro já é sobretaxado nos EUA e que a discussão deve envolver toda a cadeia produtiva. “Uma pena que algumas pessoas pensem de outro modo e queiram estabelecer um regime paritário entre o etanol brasileiro e o etanol americano, para que o etanol americano entre no país com facilidade. Esse é um setor muito importante, sobretudo no Nordeste do país. Eventualmente, a abertura do mercado ao etanol norte-americano colocaria em risco a produção do etanol no Nordeste”, concluiu.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar